16/Jul/2026
Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o Brasil exportou 38,462 milhões de sacas de 60 Kg de café para 125 países na safra 2025/26 (julho de 2025 a junho de 2026), volume 15,7% inferior ao registrado na temporada anterior. Apesar da retração dos embarques, a receita cambial alcançou US$ 14,595 bilhões, queda de apenas 1% em relação à safra 2024/25 e o segundo maior faturamento da série histórica, sustentado pelos elevados preços internacionais observados entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. Em junho, último mês da safra, as exportações somaram 3,060 milhões de sacas de 60 Kg, alta de 16,9% na comparação anual, enquanto a receita recuou 6%, para US$ 972,8 milhões. No acumulado do primeiro semestre de 2026, os embarques totalizaram 17,831 milhões de sacas de 60 Kg, redução de 8,3% frente ao mesmo período de 2025, com receita de US$ 6,534 bilhões, baixa de 13,3%. O desempenho da safra refletiu a menor disponibilidade de café no mercado brasileiro, em razão dos estoques reduzidos após os embarques recordes de 2024 e dos impactos climáticos sobre a safra de 2025, que limitaram a oferta.
Também contribuíram para a redução dos embarques os gargalos logísticos nos portos brasileiros, com congestionamentos, atrasos na saída de navios e custos adicionais de armazenagem, restringindo o embarque de centenas de milhares de sacas de 60 Kg. Outro fator de impacto foi a tarifa adicional de 50% aplicada pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro entre agosto e novembro de 2025. Durante esse período, os embarques para o mercado norte-americano caíram 54,9%, passando de 2,917 milhões para 1,315 milhão de sacas de 60 Kg na comparação com igual intervalo de 2024. Mesmo após a retirada da sobretaxa para a maior parte dos cafés brasileiros, com exceção do café solúvel, as exportações para os Estados Unidos permanecem abaixo do ritmo habitual diante das incertezas sobre a política comercial norte-americana e das investigações conduzidas pelo USTR. A comercialização também foi influenciada pela estratégia dos produtores, que permaneceram capitalizados pelos elevados preços dos últimos anos e venderam o café remanescente de forma mais seletiva durante a entressafra.
Ainda assim, o preço médio das exportações atingiu US$ 379,48 por saca de 60 Kg, o maior da série histórica e 17,4% superior ao da safra anterior. As incertezas climáticas e o atraso da colheita da nova safra também reduziram as vendas antecipadas em junho, enquanto o mercado acompanha a evolução da colheita de arábica para avaliar volume e qualidade da produção de 2026/27. Pela primeira vez desde a safra 2009/10, os Estados Unidos deixaram de ser o principal destino do café brasileiro. A Alemanha assumiu a liderança, com importações de 5,188 milhões de sacas de 60 Kg, equivalentes a 13,5% do total exportado, apesar da queda de 20,6% frente à safra anterior. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 4,243 milhões de sacas de 60 Kg, retração de 43,2%, seguidos por Itália, com 3,267 milhões de sacas de 60 Kg (-8,1%), Bélgica, com 2,330 milhões de 60 Kg (-24,7%), e Japão, com 2,300 milhões de 60 Kg (+0,2%).
O café arábica respondeu por 29,499 milhões de sacas de 60 Kg, equivalentes a 76,7% das exportações brasileiras, com recuo de 15,3%. Os embarques de canéfora (conilon e robusta) totalizaram 5,031 milhões de sacas de 60 Kg (13,1% do total), queda de 23,5%. O café solúvel somou 3,874 milhões de sacas de 60 Kg (10,1%), enquanto o segmento de café torrado e torrado e moído exportou 56.860 sacas de 60 Kg. Os cafés diferenciados responderam por 7,388 milhões de sacas de 60 Kg, equivalentes a 19,2% das exportações brasileiras, com retração de 17,1% na comparação anual. A receita desse segmento alcançou US$ 3,160 bilhões, representando 21,7% do faturamento total das exportações de café, com preço médio de US$ 427,70 por saca de 60 Kg. O Porto de Santos (SP) concentrou 75% dos embarques brasileiros de café na safra 2025/26, com 28,859 milhões de sacas de 60 Kg exportadas. O complexo portuário do Rio de Janeiro respondeu por 8,249 milhões de sacas de 60 Kg (21,4%), enquanto o Porto de Paranaguá (PR) embarcou 377.914 sacas de 60 Kg, equivalentes a 1% do total. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.