16/Jul/2026
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) avalia que a redução das vendas de café brasileiro aos Estados Unidos ainda não foi compensada pela abertura de novos mercados consumidores. Embora o País tenha ampliado o número de destinos atendidos, os novos compradores representam volumes reduzidos e não substituem a relevância do mercado norte-americano para a cadeia exportadora. O mercado dos Estados Unidos permanece estratégico para o café brasileiro, especialmente diante das incertezas relacionadas às tarifas de importação aplicadas pelo país. Após a reversão da sobretaxa de 25% para a maior parte dos cafés brasileiros, mantendo-se a cobrança apenas sobre o café solúvel, os norte-americanos retomaram a liderança das compras em junho, após terem perdido a primeira posição para a Alemanha no acumulado de parte da safra 2025/26.
Na safra 2025/26, os Estados Unidos importaram 4,243 milhões de sacas de 60 Kg de café brasileiro, volume 43,2% inferior ao registrado no ciclo anterior. A Alemanha liderou as compras no período, com 5,188 milhões de sacas de 60 Kg, equivalentes a 13,5% das exportações brasileiras, mas também apresentou retração de 20,6% na comparação anual. O Brasil conquistou 11 novos mercados entre janeiro e junho de 2026, enquanto perdeu quatro destinos no mesmo período. Entre os novos compradores estão Bangladesh, Uganda e territórios palestinos, mas os volumes ainda são considerados pouco representativos para alterar a estrutura das exportações brasileiras. Na safra 2025/26, foram incorporados 14 novos mercados e encerradas vendas para 4 destinos. Apesar da ampliação da presença internacional, esses mercados ainda precisam desenvolver consumo e ampliar compras para se tornarem alternativas relevantes ao mercado norte-americano.
Além das questões comerciais, o setor mantém preocupação com os gargalos logísticos nos portos brasileiros. A expectativa é de aumento da pressão sobre a infraestrutura de exportação diante do crescimento dos embarques de outras commodities, como o algodão. Também há atenção sobre as rotas marítimas destinadas à Ásia, segundo maior mercado do café brasileiro, devido aos conflitos geopolíticos que podem elevar custos, provocar atrasos e exigir redirecionamento de cargas. O Cecafé defende maior avanço em acordos comerciais para reduzir barreiras tarifárias enfrentadas pelo café brasileiro em diversos países. A entidade avalia que concorrentes como Vietnã e Colômbia possuem vantagens competitivas em determinados mercados devido a menores tarifas de importação, reduzindo a competitividade do produto nacional.
O Brasil possui diferenciais para ampliar sua participação internacional, incluindo a produção de cafés arábica e canéfora, sistemas de rastreabilidade, monitoramento socioambiental e capacidade de atender exigências ambientais de mercados como a União Europeia. Além da abertura comercial, a promoção do café brasileiro no exterior é apontada como fator necessário para transformar novos destinos em compradores relevantes. A ampliação de acordos comerciais em modelos semelhantes ao firmado entre Mercosul e União Europeia é defendida pelo setor como medida para reduzir barreiras tarifárias e fortalecer a competitividade do café brasileiro, especialmente do segmento de café solúvel. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.