20/Jul/2026
Segundo o Bradesco, o Brasil reúne condições para consolidar sua posição como uma das principais potências mundiais na produção de café robusta, impulsionado pela expansão da demanda internacional, disponibilidade de áreas para cultivo, avanços tecnológicos e limitações enfrentadas por concorrentes tradicionais. O potencial brasileiro se destaca em um cenário global de oferta restrita devido a eventos climáticos e dificuldades para ampliação das áreas produtoras. O avanço da cafeicultura brasileira está concentrado no café canéfora, espécie que engloba as variedades robusta e conilon. Diferentemente do café arábica, o canéfora apresenta maior adaptação a temperaturas elevadas e menor dependência de áreas de altitude, permitindo expansão sobre regiões de pastagens e áreas atualmente ocupadas por atividades de menor rentabilidade. Além disso, o custo de implantação da cultura é estimado em cerca de 30% inferior ao do arábica, favorecendo a entrada e ampliação da atividade por produtores.
A demanda internacional por robusta cresce em ritmo superior ao da produção mundial, especialmente devido à expansão do consumo de café solúvel na Ásia. Na China, o mercado de café solúvel avança cerca de 8% ao ano, enquanto a produção global cresce aproximadamente 1%. Ao mesmo tempo, países concorrentes como Vietnã, Indonésia, Índia e Uganda enfrentam limitações relacionadas à disponibilidade de terras, restrições ambientais e desafios de produtividade, reduzindo a capacidade de expansão da oferta. O Brasil também apresenta ganhos relevantes de produtividade devido à adoção de tecnologias, melhoramento genético, irrigação, correção de solos e evolução das práticas de manejo. Nos últimos dez anos, a área cultivada com canéfora cresceu cerca de 10% ao ano, enquanto a produtividade aumentou aproximadamente 13% ao ano. A produtividade média nacional passou de cerca de 18 sacas de 60 Kg por hectare em 2006 para 53 sacas de 60 Kg por hectare em 2026.
Em sistemas mais avançados, o potencial produtivo supera 80 sacas de 60 Kg por hectare em áreas sem irrigação e pode ultrapassar 100 sacas de 60 Kg por hectare em lavouras irrigadas. A expansão da cultura deve ocorrer principalmente em novas fronteiras agrícolas. O Espírito Santo permanece como principal Estado produtor, mas regiões como a Zona da Mata Mineira (MG), áreas menos adequadas ao cultivo de arábica, o litoral da Bahia e Rondônia apresentam potencial de crescimento com a adoção de materiais genéticos mais produtivos e melhorias tecnológicas. Mantida a tendência atual de expansão de área e produtividade, as projeções indicam que o Brasil poderá alcançar produção próxima de 45 milhões de sacas de 60 Kg de café robusta na safra 2034/35, com potencial exportável de aproximadamente 35 milhões de sacas de 60 Kg. Esse volume permitiria ao País superar o Vietnã e assumir a liderança mundial nas exportações da variedade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.