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23/Jul/2026

Café lidera alta da ruptura nos supermercados

O Índice de Ruptura da Neogrid, que mede a indisponibilidade de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros, recuou 0,9% em junho em relação a maio, encerrando o mês em 11,50%, o menor patamar de 2026. A redução ocorreu em um contexto de desaceleração do consumo e maior disponibilidade de itens como ovos, leite UHT, arroz, açúcar e feijão. Em sentido oposto, o café registrou o maior nível de desabastecimento desde o início da série histórica, iniciada em outubro de 2025. O ambiente de consumo mais fraco tem levado o varejo a revisar o mix de produtos e recalibrar os estoques para acompanhar a mudança no comportamento dos consumidores, que passaram a priorizar produtos de menor preço e substituir marcas premium por alternativas mais acessíveis dentro das mesmas categorias. Esse movimento também está relacionado à perda de poder de compra das famílias e ao desempenho mais fraco do comércio varejista.

O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) apontou retração real de 2,8% nas vendas em junho, refletindo um cenário de maior cautela por parte dos consumidores. Apesar da melhora no indicador geral de ruptura, permanecem desafios na gestão da cadeia de abastecimento, exigindo maior precisão no equilíbrio entre disponibilidade de produtos, níveis de estoque e rentabilidade das operações. Entre os produtos monitorados, o leite UHT apresentou a maior redução na indisponibilidade, passando de 18,2% em maio para 13,8% em junho, queda de 4,4%. O açúcar recuou de 10,4% para 9,4%, redução de 1%. O feijão caiu de 9,3% para 8,3%, também com redução de 1%. A ruptura dos ovos diminuiu de 28,4% para 27,8%, retração de 0,6%, enquanto a do arroz passou de 13,9% para 13,8%. O café foi a única categoria a registrar aumento da indisponibilidade nas prateleiras.

A ruptura do café em pó e em grãos subiu de 8,6% em maio para 9,4% em junho, avanço de 0,8%, alcançando o maior nível desde o início da série. O resultado está associado ao volume atípico de chuvas acumulado nas principais regiões produtoras da commodity. No comportamento dos preços, o leite apresentou melhora no abastecimento, mas manteve trajetória de alta. O leite sem lactose passou de R$ 7,55 para R$ 7,62 por litro, o semidesnatado de R$ 6,26 para R$ 6,36 por litro, o desnatado de R$ 6,19 para R$ 6,20 por litro e o integral de R$ 6,07 para R$ 6,10 por litro. No feijão, o tipo vermelho aumentou de R$ 12,52 para R$ 12,61 por Kg, o carioca avançou de R$ 8,89 para R$ 9,64 por Kg e o feijão preto passou de R$ 6,68 para R$ 7,03 por Kg. No arroz, o preço médio recuou em praticamente todas as variedades. O arroz integral caiu de R$ 6,96 para R$ 6,76 por Kg, o arroz branco variou de R$ 4,83 para R$ 4,82 por Kg e o parboilizado recuou de R$ 4,63 para R$ 4,62 por Kg.

Os preços do açúcar também apresentaram redução. O açúcar mascavo passou de R$ 19,29 para R$ 18,90 por Kg, o refinado de R$ 4,22 para R$ 4,13 por Kg e o cristal de R$ 3,71 para R$ 3,66 por Kg. No café, apesar do aumento da ruptura, os preços permaneceram praticamente estáveis no segmento de café em grãos, passando de R$ 127,28 para R$ 127,37 por Kg. O café em pó registrou recuo de R$ 71,03 para R$ 69,52 por Kg. A metodologia da Neogrid baseia-se no monitoramento de aproximadamente 40 milhões de notas fiscais por mês em supermercados, hipermercados e atacarejos de todo o Brasil. O índice de ruptura corresponde à proporção de itens indisponíveis em relação ao total de produtos do catálogo de cada loja, considerando tanto os produtos ausentes das gôndolas quanto aqueles indisponíveis no estoque físico do estabelecimento, independentemente do histórico de vendas ou do nível de demanda. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.