30/Jul/2026
Segundo a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), as condições climáticas registradas durante o segundo semestre de 2025 e o início de 2026 indicam que a safra brasileira de café de 2027 deverá apresentar bom desempenho, porém distante do potencial de uma supersafra. A avaliação considera não haver indícios de perdas generalizadas, embora as condições observadas também não tenham sido suficientemente favoráveis para uma produção recorde. O desenvolvimento vegetativo das lavouras, que definirá o potencial produtivo da safra de 2027, foi influenciado por chuvas irregulares, períodos de déficit hídrico durante parte da fase reprodutiva e pela ocorrência de quatro floradas ao longo do segundo semestre de 2025. As condições variaram entre as principais regiões produtoras. O Cerrado Mineiro e áreas mais quentes do Sul de Minas registraram maior estresse hídrico, enquanto regiões de temperaturas mais amenas apresentaram melhor armazenamento de água no solo, favorecendo o desenvolvimento das plantas.
O cenário climático foi intermediário, sem condições plenamente favoráveis, mas também sem eventos suficientemente severos para comprometer amplamente a produção. Nesse contexto, lavouras com melhor manejo apresentaram maior capacidade de responder às adversidades climáticas, enquanto áreas submetidas a maior déficit hídrico ou localizadas em regiões mais quentes sofreram impactos mais significativos. A ocorrência de sucessivas floradas refletiu a irregularidade das precipitações. As primeiras florações, registradas entre agosto e setembro, apresentaram dificuldades de vingamento em diversas regiões devido à insuficiência de umidade no solo. Novas floradas ocorreram em outubro e novembro, totalizando quatro eventos reprodutivos, condição que tende a resultar em maturação menos uniforme dos frutos e maior complexidade nas operações de colheita.
Embora dezembro de 2025 e janeiro de 2026 tenham apresentado chuvas abundantes e adequada reposição da umidade no solo, favorecendo a continuidade do desenvolvimento das plantas, o crescimento vegetativo permaneceu abaixo do nível normalmente associado a safras recordes. As lavouras atingiram aproximadamente 12 internódios, enquanto uma supersafra costuma estar associada à formação de 15 a 16 internódios. A expectativa para a safra de 2027 continuará dependente das condições climáticas nos próximos meses e das características específicas de cada propriedade. Fatores como microclima, tipo de solo e nível de manejo poderão intensificar ou reduzir os impactos observados até o momento sobre o potencial produtivo das lavouras. O avanço do fenômeno climático El Niño deve ampliar os riscos climáticos e operacionais para a cafeicultura, exigindo dos produtores um acompanhamento mais próximo das lavouras e intervenções no momento adequado.
A ausência de um período de déficit hídrico mais intenso pode comprometer a sincronização da florada do cafeeiro. Sem esse estresse, que normalmente induz as gemas ao repouso antes da abertura uniforme das flores, a tendência é de ocorrência de múltiplas floradas, o que pode dificultar o manejo e comprometer a uniformidade da maturação dos frutos. O cenário exige reduzir o risco climático e operacional. É preciso olhar para a planta e fazer o que é necessário na hora certa. O momento também exige atenção ao controle fitossanitário, à queda de folhas no pós-colheita e ao monitoramento constante das lavouras. Entre as recomendações para aumentar a resiliência dos cafezais estão adubação e correção equilibradas do solo, manejo adequado de poda, controle de pragas, irrigação, quando disponível, e uso de plantas de cobertura para estimular o aprofundamento do sistema radicular. Essas práticas aumentam a capacidade das plantas de enfrentar os efeitos das oscilações climáticas e preservar o potencial produtivo das próximas safras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.