23/Sep/2026
As lavouras de café arábica do Brasil, maior produtor e exportador mundial, apresentam bom desenvolvimento na primeira grande florada para a safra de 2027/2028, com ocorrência cerca de um mês antes do período habitual. A antecipação, associada principalmente ao elevado nível de umidade, pode indicar que a nova safra chegará mais cedo ao mercado, com possibilidade de início da colheita por volta de maio de 2027. A continuidade de condições climáticas favoráveis será determinante para que as flores se convertam em frutos e confirmem o potencial produtivo. Na região da Alta Mogiana (SP), a antecipação da florada reforça a possibilidade de antecipação da colheita. A ocorrência precoce é considerada um indicativo de que parte do café arábica poderá estar disponível já em maio, enquanto a florada principal normalmente ocorre em outubro.
No Sul de Minas Gerais, a ausência de um período seco mais definido, que normalmente contribui para uniformizar as floradas, foi acompanhada por chuvas durante praticamente todo o período de colheita e, posteriormente, por uma florada de setembro considerada representativa na maioria das regiões. A ocorrência de diferentes floradas ao longo do ciclo, incluindo as observadas em agosto e a nova florada de setembro, gera preocupação com a uniformidade da maturação dos frutos. Floradas menos intensas registradas em agosto podem resultar em diferentes estágios de desenvolvimento na mesma lavoura, aumentando a possibilidade de maturação desigual e tornando o processo de colheita mais complexo. A ocorrência de uma, duas ou até três floradas, entretanto, é uma situação conhecida e administrável pelos produtores, embora ainda seja cedo para dimensionar o grau de desuniformidade da safra de 2027/2028.
Caso o problema se confirme, será necessário maior controle sobre o momento da colheita e a separação dos lotes, prática já utilizada pelos cafeicultores para preservar a qualidade diante de diferentes estágios de maturação. No Cerrado Mineiro (MG), outra importante região produtora de café do Brasil, também foi observada a abertura de uma nova florada de forma expressiva em diversas áreas. Diante da antecipação do ciclo, o planejamento agronômico deverá ser ajustado, com antecipação dos manejos de proteção antes e depois da florada, de acordo com as condições climáticas e as características de cada lavoura e região. O aumento da umidade, embora favoreça o desenvolvimento das plantas, também eleva os riscos fitossanitários. Há registro de maior incidência de doenças bacterianas e fúngicas em lavouras de São Paulo e Minas Gerais. Períodos secos normalmente contribuem para reduzir a pressão de doenças, enquanto a manutenção de condições úmidas pode favorecer a permanência desses problemas nas lavouras até o próximo ciclo.
Outro fator de atenção é o comportamento climático durante o verão brasileiro, diante da possibilidade de temperaturas extremas associadas ao fenômeno El Niño. O cenário climático será determinante para a evolução das floradas, o pegamento dos frutos e a definição do potencial produtivo até a colheita. A safra de 2027/2028 também estará inserida no ciclo bienal de produção do café arábica. Como o Brasil registrou uma safra recorde em 2026, a expectativa é de redução natural da produção no ano seguinte, uma vez que as plantas sofrem maior estresse após uma grande carga produtiva e tendem a apresentar menor produtividade no ciclo subsequente. Nesse contexto, a antecipação da florada poderá contribuir para uma oferta mais cedo, mas a confirmação do volume e da qualidade da safra dependerá da evolução das condições climáticas, da uniformidade da maturação e do controle fitossanitário ao longo dos próximos meses. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.