09/Oct/2026
O fortalecimento do El Niño entre janeiro e março de 2027 é apontado como o principal fator de risco para a safra brasileira de café 2027/28, após a conclusão da colheita de 77 milhões de sacas de 60 Kg no ciclo 2026/27. O cenário climático ganha relevância diante da possibilidade de períodos mais secos no início do próximo ano em importantes regiões produtoras, especialmente no sul de Minas Gerais, São Paulo e Cerrado, enquanto o cinturão cafeeiro e as áreas de conilon deverão permanecer sob atenção em março, caso o fenômeno climático se intensifique. Antes do período de maior risco climático previsto para o início de 2027, as condições de umidade foram favoráveis nas principais regiões produtoras. As chuvas registradas entre junho e setembro no sul de Minas, Cerrado, Matas de Minas e no Estado de São Paulo ficaram acima da média histórica, contribuindo para a manutenção da umidade do solo e favorecendo o desenvolvimento vegetativo das lavouras para o ciclo 2027/28.
A StoneX deverá divulgar em novembro a primeira estimativa de produção do Brasil para a próxima safra. Para 2026/27, a StoneX elevou sua projeção de produção brasileira de 75,3 milhões para 77 milhões de sacas de 60 Kg. A estimativa considera produtividade média de 33 sacas de 60 Kg por hectare para o café arábica, densidade de 3.615 plantas por hectare e rendimento entre 400 e 470 litros de café colhido para a obtenção de uma saca beneficiada. O cálculo corresponde a aproximadamente 4,3 litros de café colhido por planta. A combinação entre uma safra recorde em fase final de colheita e o risco climático para o próximo ciclo cria um cenário de fundamentos opostos para os preços. De um lado, a maior disponibilidade resultante da produção de 77 milhões de sacas de 60 Kg amplia a oferta no curto prazo. De outro, a possibilidade de períodos secos associados ao El Niño entre janeiro e março de 2027 aumenta a incerteza sobre o potencial produtivo da safra 2027/28.
A predominância de cada um desses fatores deverá determinar a direção das cotações nos próximos meses. No comércio exterior, as exportações totais brasileiras de café em agosto de 2026 cresceram 31% em relação a agosto de 2025. O aumento dos embarques ocorreu após chuvas registradas em junho e julho terem atrasado a colheita e afetado a qualidade do café disponível no mercado doméstico. Com a recuperação do fluxo de colheita e a maior disponibilidade de produto, os embarques externos avançaram de forma significativa. No mercado global, a StoneX projeta superávit de 10 milhões de sacas de 60 Kg no balanço entre oferta e demanda. O aumento da disponibilidade internacional é influenciado principalmente pela maior oferta de robusta do Vietnã. Os embarques vietnamitas de robusta cresceram 19% no acumulado de outubro a agosto, com acréscimo superior a 4 milhões de sacas de 60 Kg em relação ao ciclo anterior, ampliando a disponibilidade dessa variedade no mercado internacional.
Na Colômbia, por outro lado, a produção acumulada em 2026 recua 12% em relação a 2025. A menor disponibilidade de cafés lavados contribuiu para manter os estoques certificados das bolsas de mercadorias nos níveis mais baixos em 26 anos, limitando parcialmente o efeito do superávit global sobre determinados segmentos do mercado. O balanço internacional, portanto, combina superávit projetado de 10 milhões de sacas de 60 Kg, aumento expressivo da oferta de robusta pelo Vietnã e redução da produção colombiana, enquanto o Brasil encerra um ciclo recorde e se prepara para uma safra 2027/28 sob maior risco climático. A evolução do El Niño no primeiro trimestre de 2027 será determinante para avaliar se as condições favoráveis de umidade acumuladas em 2026 serão suficientes para sustentar o potencial produtivo ou se a redução das chuvas provocará perdas e maior sustentação das cotações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.