28/Oct/2026
As cotações dos cafés arábica e robusta estão firmes no mercado nacional, mesmo com a retração verificada no cenário externo. A valorização expressiva do dólar frente ao Real, em reação ao resultado das eleições presidenciais no Brasil, sustenta os valores. Vale lembrar que o mercado de arábica vinha registrando baixas, com as condições climáticas nas regiões produtoras reforçando a percepção de maior oferta global na próxima safra. Esse cenário, somado à expectativa de agentes quanto a uma recuperação mais consistente dos estoques na Bolsa de Nova York, pesou sobre os contratos futuros a partir do dia 22 de outubro. O contrato do Dezembro/26 do café arábica negociado na Bolsa de Nova York apresentou recuo de 825 pontos (-2,61%) entre 19 e 23 de outubro, enquanto o Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto e São Paulo, registrou leve baixa de 0,31%. Quanto ao robusta, o Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6, peneira 13 acima, à vista, a retirar no Espírito Santo, recuou 3,75% no mesmo comparativo.
Porém, a forte elevação de 8% da moeda norte-americana no dia 26 de outubro manteve os valores domésticos em alta. O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica teve alta de 1,6% no dia 26 de outubro e de 1,28% nos últimos sete dias, a R$ 1.627,46 por saca de 60 Kg, embora o contrato Dezembro/26 em Nova York tenha caído 650 pontos (-2,11%) entre os dias 23 e 26 de outubro e 3,32% nos últimos sete dias. O Indicador do café robusta tipo 6, à vista, a retirar no Espírito Santo, subiu 1,91% no dia 26 de outubro, mas tem retração de 1,91% nos últimos sete dias, para R$ 954,64 por saca de 60 Kg. O tipo 7/8, bica corrida, à vista, a retirar no Espírito Santo, avançou 1,13% no dia 26 de outubro, mas apresenta queda de 2,58% nos últimos sete dias, para R$ 930,03 por saca de 60 Kg. Vale destacar que os valores no mercado interno refletiram apenas parte do movimento cambial, já que, considerando-se a combinação entre a alta do dólar e o recuo dos preços externos, a valorização doméstica poderia ter sido mais significativa. As cotações foram ajustadas ao novo patamar do dólar, mas o dia 26 de outubro foi considerado atípico e com poucos negócios, condições comuns em momentos de elevada volatilidade e incerteza.
Os vendedores elevaram as pedidas, mas os compradores não acompanharam os reajustes. As oscilações do câmbio e da bolsa deixam agentes mais cautelosos, à espera de uma definição mais clara do cenário nos próximos dias. Para as próximas semanas, os preços domésticos devem continuar sensíveis tanto ao câmbio quanto ao clima, há, inclusive, previsão de chuvas para esta semana. A safra 2027/28 está em fase de pegamento e desenvolvimento dos chumbinhos e é de bienalidade baixa para o arábica, o que torna as cotações mais reativas a qualquer sinal de risco à produção. No curto prazo, o repasse da alta cambial aos preços internos dependerá da manutenção do dólar no novo patamar e da disposição dos compradores em acompanhar as pedidas. A proximidade do fim do ano também tende a reduzir o ritmo das vendas, com produtores mais receosos em negociar, especialmente por questões fiscais. Assim, mesmo que o bom andamento da safra pressione as cotações, a resistência dos vendedores pode limitar os recuos. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.