28/Jan/2026
Segundo a StoneX, após um 2025 marcado por forte redução dos preços, o mercado internacional de açúcar inicia 2026 com alguns fatores altistas no radar, mas ainda sob influência de fatores que limitam uma recuperação consistente. O açúcar bruto negociado na Bolsa de Nova York acumulou queda de 22% em 2025, recuo de 42,5 pontos em relação ao fechamento de 2024, a maior desvalorização percentual desde 2017. Em 2025, os preços se acomodaram na banda entre 14,50 e 15,00 centavos de dólar por libra-peso, refletindo a menor urgência das importações no primeiro semestre e a confirmação de um cenário de superávit global nos balanços de 2024/2025 e 2025/2026. Em 2026, o mercado se depara com forças opostas. Entre os fatores altistas estão a possibilidade de importações mais firmes em relação a 2025, a expectativa de um mix açucareiro cada vez menor no Centro-Sul do Brasil e o risco de cobertura das posições líquidas vendidas mantidas por fundos especulativos.
Em contrapartida, há perspectiva de produção elevada no Centro-Sul em 2026, sustentada por um cenário otimista de produtividade da cana-de-açúcar, além do crescimento esperado das exportações dos três principais players globais: Brasil, Índia e Tailândia. A StoneX estima um superávit global em 2025/2026 (outubro a setembro) de 3,7 milhões de toneladas. No primeiro trimestre de 2026, o foco do mercado se volta para o pico de colheita no Hemisfério Norte, especialmente na Índia e na Tailândia. Na Índia, a produção acumulada até agora é significativamente maior na comparação anual. Ainda assim, o ritmo e a viabilidade dos embarques seguem como pontos-chave, já que os preços atuais não tornam economicamente atrativa a exportação do volume de 1,5 milhão de toneladas autorizado pelo governo. A definição desse fluxo será determinante para o direcionamento do mercado ao longo do ano.
Na Tailândia, a moagem começou de forma lenta em dezembro, com relatos de chuvas fora de época. Embora a expectativa seja de produção abaixo do inicialmente projetado, o mercado ainda avalia se o volume final ficará abaixo de 100 milhões de toneladas de cana. Uma eventual quebra mais relevante poderia reduzir a disponibilidade exportável e levar a ajustes nos preços internacionais. O Brasil permanece como elemento central na formação de preços em 2026. As condições climáticas entre janeiro e março serão decisivas para a produtividade dos canaviais do Centro-Sul e para o tamanho da safra 2026/2027. Após um início irregular da estação chuvosa, dezembro registrou precipitações 26% acima da média, e as projeções para o primeiro trimestre são majoritariamente positivas em estados como São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, embora algumas áreas ainda possam enfrentar volumes abaixo do normal.
Se as chuvas do período outubro-março ficarem próximas da média histórica, a moagem estimada em cerca de 620,5 milhões de toneladas no Centro-Sul tende a se confirmar. Em um cenário adverso, no entanto, o balanço global pode voltar a acender sinais de alerta, especialmente porque os preços atuais reforçam a priorização do etanol pelas usinas, reduzindo a flexibilidade para elevar o mix açucareiro no início da safra. O patamar em torno de 15,00 centavos de dólar por libra-peso é visto como um nível de equilíbrio dos fundamentos atuais, com os fundos mantendo preços em território pouco atrativo para produção e exportação em diversos países. Uma reversão mais consistente do viés baixista dependeria de uma mudança relevante nos fundamentos ou de um movimento financeiro de recompra por parte dos especuladores, hipóteses que, por ora, parecem pouco prováveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.