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16/Mar/2026

Etanol pode ganhar espaço na matriz de combustíveis

A perspectiva de aumento da oferta de etanol no Brasil na safra 2026/27, associada à volatilidade recente do petróleo no mercado internacional, reforçou no setor sucroenergético o debate sobre ampliar a participação do biocombustível na matriz de combustíveis do País. A discussão envolve a possibilidade de elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina como forma de absorver o crescimento da produção, reduzir a dependência de combustíveis importados e contribuir para a estabilidade de preços ao consumidor. Atualmente, a mistura de etanol anidro na gasolina está em 30%, com limite legal de até 35%. A legislação estabelece intervalo entre 22% e 35%, conforme definido pela Lei do Combustível do Futuro, permitindo ajustes a partir de avaliações técnicas conduzidas pelo governo e pela indústria automotiva.

O debate ocorre em um contexto de expansão relevante da oferta de etanol. Projeções da consultoria Datagro indicam que a produção total deverá crescer de 33,89 bilhões de litros na safra 2025/26 para 38,42 bilhões de litros em 2026/27, considerando tanto o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar quanto o etanol de milho. Parte desse crescimento está associada a mudanças esperadas no mix de produção das usinas sucroenergéticas. A participação da cana destinada à produção de açúcar deve recuar de 50,7% em 2025/26 para 48,5% em 2026/27, indicando deslocamento maior da matéria-prima para a produção de etanol. Esse movimento tende a tornar o mix produtivo mais alcooleiro ao longo da próxima safra, ampliando o volume de cana-de-açúcar direcionado ao biocombustível.

Estimativas apontam que o aumento total da oferta de etanol poderá alcançar cerca de 4 bilhões de litros em 2026/27, sendo aproximadamente 2 bilhões de litros decorrentes do maior direcionamento da cana-de-açúcar para etanol e outros 2 bilhões provenientes da expansão da produção de etanol de milho. Atualmente, o etanol responde por cerca de 45% da matriz de combustíveis leves no Brasil, considerando o consumo de etanol hidratado e a mistura obrigatória de anidro na gasolina. A ampliação da oferta, entretanto, também levanta preocupações quanto ao equilíbrio entre produção e demanda, diante do risco de pressão sobre preços e margens do setor. A competitividade do biocombustível também tende a ser influenciada pelo comportamento dos preços da gasolina.

A valorização do combustível fóssil pode ampliar a margem relativa do etanol e estimular o consumo no mercado doméstico. O cenário internacional também reforça a discussão sobre o papel estratégico do etanol. A escalada das tensões no Oriente Médio elevou a volatilidade das cotações do petróleo, que chegou a superar US$ 100 por barril diante de temores relacionados ao fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. O encarecimento do petróleo tende a pressionar os preços de combustíveis e custos logísticos. Nesse contexto, o etanol também assume papel relevante na segurança energética nacional, ao reduzir a dependência de importações de derivados de petróleo. O Brasil ainda depende de compras externas de gasolina e enfrenta limitações na capacidade de refino para atender integralmente à demanda doméstica.

Outro vetor importante de crescimento da produção é o avanço do etanol de milho, que já responde por cerca de 20% da produção nacional de etanol. Novos projetos industriais em regiões como Maranhão, oeste da Bahia e Piauí indicam expansão da produção em áreas onde o consumo de etanol hidratado ainda apresenta potencial de crescimento. Além das condições de oferta e demanda, executivos do setor apontam a importância de maior previsibilidade na política de preços dos combustíveis no País. A clareza nas regras de formação de preços e no papel das empresas no abastecimento do mercado é considerada fator relevante para sustentar investimentos e manter o equilíbrio no mercado de combustíveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.