16/Mar/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão de sexta-feira (13/03) praticamente estáveis na Bolsa de Nova York. O vencimento maio recuou 1 ponto, ou 0,07%, e fechou a 14,37 centavos de dólar por libra-peso. O pregão foi marcado por elevada volatilidade, com o mercado reagindo a fatores macroeconômicos em direções opostas. A valorização do dólar atuou como principal limitador para avanços mais consistentes das cotações, após a moeda norte-americana atingir o maior nível em cerca de três meses e meio. O fortalecimento do dólar tende a pressionar commodities negociadas na moeda, ao torná-las mais caras para compradores que operam com outras divisas. Em contrapartida, o suporte veio do mercado de energia.
Os preços do petróleo avançaram de forma expressiva, com o Brent crude oil superando a marca de US$ 100,00 por barril. A alta reflete o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e preocupações com possíveis interrupções logísticas no Estreito de Ormuz. Nesse contexto, o avanço do petróleo tende a elevar a competitividade do etanol no Brasil, incentivando usinas a direcionar maior volume de cana-de-açúcar para a produção de biocombustível na safra 2026/2027. Um mix mais alcooleiro reduz a oferta de açúcar no mercado internacional, oferecendo sustentação às cotações. No campo dos fundamentos, o mercado também acompanhou revisões nas projeções globais de oferta e demanda.
A Datagro estimou um déficit global de 800 mil toneladas no ciclo 2025/2026 e de 2,7 milhões de toneladas na temporada 2026/2027. A StoneX reduziu a estimativa de superávit mundial de açúcar para a próxima safra, de 2,9 milhões de toneladas para 870 mil toneladas, após ajustes nas projeções de produção em importantes países produtores. Na Ásia, a Indian Sugar Mills Association informou que a produção acumulada de açúcar na Índia até fevereiro aumentou 12%. Apesar do avanço, a entidade revisou para baixo a estimativa total da safra atual e reduziu o volume de cana-de-açúcar destinado à produção de etanol, com o objetivo de ampliar as exportações do país, fator que tende a exercer pressão baixista no médio prazo.