20/Mar/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara na Bolsa de Nova York fecharam em forte alta nesta quinta-feira (19/03), atingindo o nível mais elevado em cinco meses. O vencimento maio subiu 57 pontos (3,85%), e fechou a 15,37 centavos de dólar por libra-peso. O mercado prolongou o rali da semana, impulsionado por combinação de alta nos combustíveis, gargalos logísticos e forte demanda chinesa. O setor de energia atuou como principal fator de sustentação, com a gasolina nos Estados Unidos alcançando o maior nível em três anos e meio e o petróleo Brent superando US$ 110 o barril, refletindo o prêmio de risco elevado no Estreito de Ormuz.
Esse cenário favorece o açúcar ao tornar o etanol hidratado mais competitivo no Brasil, com projeção de piso das cotações em Nova York em 16,20 cents devido ao redirecionamento da cana para biocombustível. Para a safra 2026/27 do Centro-Sul, estima-se que 52% da cana seja destinada ao etanol, restringindo a oferta global do açúcar. Na demanda, a China apresentou forte suporte, com importações atingindo 520 mil toneladas no primeiro bimestre de 2026, frente a 80 mil toneladas no mesmo período de 2025.
O fechamento do Estreito de Ormuz comprometeu cerca de 6% do comércio mundial de açúcar, elevando custos de frete e seguros. Entre os fatores de limitação de ganhos, a produção na Índia alcançou 26,2 milhões de toneladas até 15 de março, crescimento de 10,5% ante o ano anterior. Projeções de consultorias como Czarnikow e StoneX indicam superávit global entre 2,9 milhões e 3,4 milhões de toneladas para o ciclo 2026/27, sugerindo oferta global ainda folgada apesar do rali na Bolsa de Nova York.