23/Mar/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão de sexta-feira (20/03) em alta na Bolsa de Nova York, renovando máximas recentes com suporte do mercado de energia e de fatores logísticos. O vencimento maio avançou 2,15%, equivalente a 33 pontos, e fechou a 15,70 centavos de dólar por libra-peso, atingindo o maior nível em aproximadamente cinco meses. O movimento foi impulsionado pela valorização da gasolina nos Estados Unidos, que alcançou o maior patamar em três anos e meio, elevando a competitividade do etanol.
Esse cenário tende a direcionar o mix produtivo das usinas brasileiras para maior participação do biocombustível na safra 2026/27, reduzindo a oferta global de açúcar. Adicionalmente, o ambiente geopolítico mantém um prêmio de risco elevado, com impactos logísticos relevantes. Interrupções no Estreito de Ormuz têm afetado fluxos comerciais e custos de transporte, comprometendo parte do comércio internacional do açúcar. No mercado doméstico, a oferta de curto prazo também contribui para a sustentação das cotações, diante da redução na produção no Centro-Sul observada no início do ano.
Por outro lado, fatores macroeconômicos limitaram ganhos mais expressivos ao longo do dia, com o fortalecimento do dólar reduzindo a competitividade das commodities denominadas na moeda norte-americana. No horizonte de médio e longo prazo, o balanço global segue pressionado pela expectativa de maior produção na Ásia. Dados da Indian Sugar Mills Association indicam crescimento de 10,5% na produção indiana até meados de março, totalizando 26,2 milhões de toneladas. Projeções de consultorias como StoneX e Czarnikow apontam para superávit mundial no ciclo 2026/27, estimado entre 2,9 milhões e 3,4 milhões de toneladas, fator que tende a limitar movimentos mais sustentados de alta.