24/Mar/2026
O setor de combustíveis alerta para risco de desabastecimento no Brasil, mesmo após a adoção de medidas governamentais voltadas à contenção de preços e à garantia de oferta. A avaliação predominante indica que as iniciativas são positivas, porém insuficientes diante da magnitude da crise, exigindo implementação imediata para evitar agravamento do cenário. Entre as ações, a retomada de leilões de gasolina e diesel surge como principal instrumento para ampliação da oferta no curto prazo. Outras propostas, como criação de novos impostos, controle de preços e aumento de exigências regulatórias, são avaliadas com cautela, devido ao potencial de gerar distorções no funcionamento do mercado. A estrutura de abastecimento no País apresenta elevada concentração. As refinarias respondem por cerca de 60% do fornecimento de diesel, enquanto unidades privadas representam aproximadamente 20%, e as importações podem atingir até 30% do total, a depender do período.
No caso da gasolina, a dependência externa é menor, com cerca de 10% do volume fora do suprimento das refinarias. Há registro de aumento relevante na demanda por combustíveis, acompanhado por restrições na oferta. Distribuidoras relatam cortes nas cotas de fornecimento e negativa de pedidos adicionais para os meses de março e abril, o que intensifica a pressão sobre o abastecimento. O ambiente de incerteza também afeta o planejamento de importações. A ausência de definição sobre volumes e cronograma de leilões dificulta a programação de compras no exterior, considerando que o prazo logístico para chegada de cargas ao Brasil varia entre 30 e 40 dias. Esse fator compromete a previsibilidade e pode gerar desequilíbrios entre oferta e demanda. A ampliação da participação do diesel importado, tendência observada nos últimos anos, exige aumento abrupto das operações em portos, o que eleva o risco de disrupções logísticas e pressiona a infraestrutura existente.
No varejo, já há sinais de restrição na comercialização, principalmente de diesel, com maior demanda e dificuldade de reposição por parte de revendedores, indicando possível desorganização pontual no abastecimento. A recomposição da oferta e o acompanhamento mais próximo das operações logísticas são considerados fundamentais para garantir maior previsibilidade ao mercado. No entanto, medidas que restrinjam a liberdade de negociação ou imponham controle de preços podem gerar efeitos adversos, ampliando a instabilidade. O cenário permanece condicionado a fatores externos, como preços internacionais, custos logísticos e disponibilidade global de produto, limitando a eficácia de intervenções regulatórias. Assim, as ações em curso tendem a mitigar impactos no curto prazo, mas não eliminam as pressões estruturais sobre o mercado de combustíveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.