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28/Apr/2026

Etanol: preços são pressionados pela maior oferta

A maior oferta de etanol, diante da intensificação da moagem da nova safra 2026/27 de cana-de-açúcar e do avanço na disponibilidade de biocombustível de milho, tem mantido em queda os valores de negociação do hidratado e do anidro. Além disso, a demanda ainda sem grandes aquecimentos acaba reforçando o movimento de baixa, que é verificado tanto no mercado spot de São Paulo quanto em outros Estados do Centro-Sul. O Indicador semanal CEPEA/ESALQ do hidratado está cotado a R$ 2,4512 por litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), queda de 5,43% nos últimos sete dias. Trata-se da quinta baixa semanal consecutiva. Para o etanol anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ está cotado a R$ 2,8546 por litro, valor líquido de impostos (sem PIS/Cofins), retração de 3,48% na mesma base de comparação (esta foi a terceira desvalorização semanal). Mais usinas de cana-de-açúcar estão entrando no spot, enquanto outras seguem focadas na entrega de etanol vendido em semanas anteriores. Esses vendedores anteciparam as negociações, temendo novas quedas no preço.

O tempo firme com dias ensolarados favorece a colheita da cana-de-açúcar e, consequentemente, o avanço da produção de etanol. Do lado da demanda, poucos volumes foram adquiridos na semana passada, até porque o feriado do dia 21 de abril (Dia de Tiradentes), deixou a comercialização mais lenta. Algumas distribuidoras fecharam apenas pequenas quantidades e outras estiveram em sistema de “plantão”, mais focadas em questões operacionais. Além disso, alguns compradores e vendedores concentram-se nos contratos de etanol anidro regidos pela Resolução ANP 67, privilegiando essa negociação em detrimento do mercado spot e contribuindo para a menor liquidez em operações à vista. Ressalta-se que a entrada de milho em escalas maiores também vem influenciando os preços do biocombustível. Segundo estimativas, de todo o etanol da safra 2025/26 do Centro-Sul, 28,9% foram produzidos a partir do milho; e esse share deve crescer para 32,5% no atual ciclo 2026/27. De fato, uma quantidade expressiva de etanol a partir do milho vem chegando nos tanques em bases de estocagem próximas aos principais centros consumidores, especificamente o estado de São Paulo.

Essa estratégia vem se amplificando até mesmo para reduzir os gargalos logísticos. Dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) mostram que o Brasil deve encerrar o atual ano-safra com 10 bilhões de litros produzidos, volume que representa cerca de um terço de todo o mercado nacional de etanol. Em setembro/25, estimou-se que sejam produzidos 16,63 bilhões de litros na safra 2033/34 (dados do Imea e da Unem). Assim, a recuperação dos preços do etanol hidratado observadas nas últimas duas temporadas em São Paulo pode ser interrompida no ciclo atual. Em termos reais, a média do biocombustível fechou em R$ 2,7805 por litro na safra 2025/26, contra R$ 2,6104 por litro no ciclo anterior. Na temporada 2023/24, a média tinha sido de R$ 2,3878 por litro. Em São Paulo, nos últimos sete dias, o valor do açúcar cristal está 19,4% acima do hidratado e 7,01% acima do verificado para o anidro. Entre os dois etanóis, o preço do anidro é 11,55% superior ao do hidratado. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.