29/Apr/2026
A elevação dos preços do querosene de aviação, em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio, tem ampliado a competitividade do combustível sustentável de aviação no Brasil, reforçando seu papel não apenas ambiental, mas também como alternativa de segurança energética. O movimento ocorre em um contexto de maior volatilidade no mercado internacional de combustíveis fósseis. Em abril, o preço do querosene de aviação foi reajustado em 54% para distribuidoras, com novo aumento previsto para maio, refletindo o encarecimento global dos derivados de petróleo. Na América Latina, o combustível fóssil atingiu US$ 1,13 por litro, enquanto o custo de produção do SAF a partir de cana-de-açúcar, pela rota Ethanol-to-Jet em escala industrial, é estimado em US$ 1,11 por litro. No curto prazo, o ganho de competitividade do SAF está associado principalmente à alta dos combustíveis fósseis, e não a uma redução estrutural de custos do produto sustentável.
No entanto, a expectativa é de que avanços tecnológicos, ganhos de escala e aumento de produtividade contribuam para maior aproximação de preços no médio e longo prazo. O cenário também envolve riscos de abastecimento, com registros de restrições em algumas regiões, evidenciando a vulnerabilidade de cadeias dependentes de importações. Nesse contexto, os biocombustíveis passam a ser considerados estratégicos para redução de riscos e diversificação da matriz energética. No Brasil, a expansão do SAF está associada ao marco regulatório, com a previsão de início de mandato de mistura a partir de 2027, conforme a Lei do Combustível do Futuro. No plano internacional, há metas de redução de emissões no setor aéreo, com diminuição anual de 1% até atingir 10% em 2037, o que tende a impulsionar a demanda.
A implementação inicial deve considerar aspectos logísticos e regulatórios, com mecanismos como certificação de créditos e concentração do consumo em grandes aeroportos. A estratégia busca viabilizar a adoção gradual do combustível, reduzindo incertezas operacionais. Atualmente, a produção nacional de SAF é limitada, com iniciativas lideradas pela Petrobras e projetos em desenvolvimento, como o da Acelen, que prevê produção de 1 bilhão de litros por ano a partir de 2028. O consumo de querosene de aviação no Brasil é estimado em 6,6 bilhões de litros anuais. O cenário indica que, independentemente da trajetória futura dos preços do petróleo, a transição para combustíveis sustentáveis no setor aéreo tende a se consolidar, com potencial de acelerar investimentos e fortalecer a competitividade do Brasil na produção de biocombustíveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.