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29/Apr/2026

Combustíveis: gasolina tem defasagem acima de 70%

A defasagem nos preços da gasolina nas refinarias brasileiras superou 70% em alguns polos no fechamento de 27 de abril, acompanhando a valorização do petróleo Brent acima de US$ 101,00 por barril. Na média nacional, a gasolina apresenta defasagem de 68% em relação ao mercado internacional, indicando potencial de ajuste de R$ 1,70 por litro, conforme levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). As distorções são mais acentuadas em polos relevantes de refino. Em Paulínia (SP), a gasolina apresenta defasagem de 71% frente ao exterior, enquanto em Araucária (PR) o diferencial atinge 72%. Esse cenário ocorre em um contexto em que os preços nas refinarias permanecem sem reajuste desde 27 de janeiro, quando houve redução média de R$ 0,14 por litro.

A janela de importação permanece fechada há 62 dias, refletindo a falta de competitividade do produto importado frente ao preço doméstico. Ainda assim, o Brasil importa menos de 10% da gasolina consumida, enquanto a Petrobras tem elevado o fator de utilização das refinarias e postergado manutenções para assegurar o abastecimento interno. No campo regulatório, o governo encaminhou ao Congresso proposta para permitir o uso de receitas extraordinárias do petróleo na redução de tributos sobre combustíveis, incluindo PIS/Cofins e Cide, que incidem sobre gasolina, diesel, etanol e biodiesel. Até o momento, não houve definição sobre a adoção de medidas. Na Refinaria de Mataripe, na Bahia, a gasolina também apresenta preço inferior ao mercado internacional, com defasagem de 9%.

A unidade responde por cerca de 14% da capacidade de refino nacional e segue operando com política de preços alinhada à paridade internacional, com ajustes frequentes. No caso do diesel, a defasagem média é de 39%, alcançando 49% quando consideradas apenas as refinarias da Petrobras, o que indicaria potencial de aumento de R$ 1,76 por litro para alinhamento à paridade de importação. Em Mataripe, o combustível é comercializado com prêmio de 9% em relação ao mercado externo. As estimativas de defasagem não consideram os preços do diesel de origem russa, que podem chegar ao Brasil com descontos. A dinâmica atual evidencia pressão crescente para recomposição dos preços internos, em meio à alta do petróleo no mercado internacional e à política doméstica de combustíveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.