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02/Jun/2026

Etanol: preços são pressionados pela maior oferta

Os primeiros dois meses da temporada 2026/27 apresentaram um perfil mais alcooleiro no Centro-Sul do Brasil, com as usinas priorizando a produção de etanol em detrimento da de açúcar. No acumulado da safra, o mix chegou a 61,84%, contra 54,77% na safra anterior (dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia - Unica). Assim, com o aumento da oferta, as cotações tanto do hidratado quanto do anidro recuaram 14% em maio. As baixas ocorreram apesar das chuvas na segunda quinzena de maio, que interromperam pontualmente a moagem. Na média das semanas cheias do mês, o preço do etanol hidratado foi de R$ 2,2430 por litro, queda expressiva de 14% frente aos R$ 2,6068 por litro registrados em abril. Em termos de volume, a quantidade desse biocombustível negociado pelas usinas de São Paulo diminuiu 7,18% no mesmo comparativo.

Para o etanol anidro, a média no mercado spot foi de R$ 2,5710 por litro, retração de 14% em relação a abril (R$ 3,0024 por litro). Os volumes negociados no spot cresceram 15,2% no comparativo mensal. Números da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram crescimento das vendas de gasolina C em abril mesmo com a maior competitividade do etanol hidratado. Em maio, algumas usinas realizaram vendas por necessidade financeira em meio a um cenário desafiador de preços menos atrativos para o etanol e para o açúcar. Diante disso, alguns vendedores têm participado com mais frequência do mercado spot. Outras usinas, porém, tentaram segurar os preços. Do lado da demanda, distribuidoras têm tentado comprar a valores menores e, em alguns casos, tiveram sucesso em São Paulo e em outros estados do Centro-Sul.

Nos últimos sete dias, especificamente, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado tem média de R$ 2,2315 por litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), redução de 0,79%. Para o etanol anidro, por outro lado, o Indicador CEPEA/ESALQ tem média de R$ 2,5650 por litro, valor líquido de impostos (sem PIS/Cofins), alta de 0,62% na mesma base de comparação. Os movimentos de preços são tímidos no mercado spot, em especial para o hidratado. Distribuidoras focam na retirada de compras já realizadas nas últimas semanas, efetivando poucos novos negócios. As atenções se voltam ao comportamento dos preços nas bombas, e a expectativa é de que a demanda por etanol ganhe mais volume, trazendo compradores de volta ao mercado. Do lado vendedor, observa-se a postura mais firme de algumas unidades produtoras, com baixa participação no spot. Por outro lado, a retomada das atividades industriais após as chuvas dos últimos dias pode incrementar a oferta e tende a atrair mais vendedores.

Em São Paulo, nos últimos sete dias, em relação aos preços entre os produtos do setor sucroenergético, o açúcar cristal está 24,56% acima do etanol hidratado e 13,09% superior ao etanol anidro. Entre os dois biocombustíveis, o preço do anidro está 10,1% acima do hidratado. No dia 29 de maio, a Petrobrás reajustou o preço da gasolina A nas refinarias. O aumento será de R$ 0,48 por litro, mas com desconto de R$ 0,44 por litro (referente ao programa de subvenção governamental), resultando em acréscimo de apenas R$ 0,04 por litro. Assim, o preço da gasolina A nas refinarias passou de R$ 2,57 por litro para R$ 2,61 por litro. O acréscimo, portanto, pode ser pouco sentido pelo consumidor final. Nos postos de São Paulo, a gasolina esteve cotada a R$ 6,47 por litro na última semana de maio, estável frente à semana anterior. No caso do etanol hidratado, houve queda de 1,5% no mesmo comparativo, a R$ 3,93 por litro. Com isso, a relação etanol/gasolina caiu para 60,7%. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.