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02/Jun/2026

Açúcar: petróleo e clima na Ásia elevam os futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara registraram forte valorização na Bolsa de Nova York nesta segunda-feira (1º/06), ampliando o movimento de recuperação observado nas sessões anteriores. O contrato com vencimento em julho, referência do mercado, avançou 39 pontos, ou 2,77%, e fechou a 14,45 centavos de dólar por libra-peso. O movimento foi sustentado por preocupações climáticas na Ásia e pela expressiva alta do mercado de energia, fatores que estimularam a cobertura de posições vendidas por fundos de investimento. Na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, o departamento de meteorologia revisou a previsão de chuvas das monções entre junho e setembro de 92% para 90% da média histórica, em função da influência do fenômeno El Niño.

A redução das precipitações elevou as preocupações em relação ao potencial produtivo da próxima safra. No cenário macroeconômico, o petróleo WTI avançou 6,08%, alcançando US$ 91,12 por barril, após o aumento das incertezas geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã. A valorização do petróleo reforça a competitividade do etanol hidratado frente à gasolina no mercado brasileiro, reduzindo os incentivos para ampliação do mix açucareiro pelas usinas e contribuindo para limitar a oferta global de açúcar. Apesar do suporte proporcionado pelos fatores climáticos e energéticos, a percepção de oferta confortável no curto prazo restringiu ganhos mais expressivos.

O mercado segue avaliando os dados operacionais da safra brasileira divulgados pela Unica, que indicam moagem acumulada de 60 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul até 1º de maio, volume equivalente ao dobro do registrado no mesmo período da safra anterior. Com o mix açucareiro em 40,3%, a produção acumulada de açúcar alcançou 2,475 milhões de toneladas, representando crescimento de 55,3% em relação ao mesmo intervalo do ciclo anterior. Também contribuíram para limitar a valorização dos contratos as perspectivas favoráveis de oferta global. As exportações de açúcar da Tailândia cresceram 29% no primeiro quadrimestre, atingindo 1,60 milhão de toneladas, enquanto a Organização Internacional do Açúcar (OIA) projeta superávit mundial de 2,20 milhões de toneladas na safra 2025/26.