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03/Jun/2026

Etanol ganha peso na negociação do Brasil com EUA

O acesso ao mercado brasileiro de etanol foi apontado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) como uma das principais justificativas para a proposta de aplicação de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em relatório elaborado no âmbito da investigação da Seção 301, o órgão concluiu que as políticas adotadas pelo Brasil para o setor são consideradas discriminatórias e prejudiciais aos interesses comerciais norte-americanos. Os Estados Unidos alegam que houve rompimento do princípio de reciprocidade tarifária que vinha orientando a relação bilateral no mercado de biocombustíveis.

O relatório destaca que, em 2010, o Brasil suspendeu a tarifa de 20% sobre o etanol importado, enquanto os Estados Unidos encerraram, em 2011, mecanismos de apoio ao setor, incluindo créditos fiscais e uma sobretaxa incidente sobre o produto estrangeiro. O USTR argumenta que a situação mudou a partir de 2017, quando o Brasil passou a adotar cotas de importação com isenção tarifária limitada, aplicando tributos sobre os volumes excedentes. Atualmente, a tarifa de importação do etanol norte-americano é de 18%, percentual que os Estados Unidos consideram incompatível com o tratamento concedido ao etanol brasileiro em seu mercado.

O relatório ressalta que as exportações norte-americanas de etanol para o Brasil sofreram forte retração nos últimos anos. Em 2025, os embarques somaram US$ 96 milhões, queda de 87% em relação ao pico registrado em 2018, quando alcançaram US$ 761 milhões. A participação dos Estados Unidos nas importações brasileiras do biocombustível também diminuiu ao longo do período. Como comparação, o USTR cita o mercado canadense, onde não há barreiras semelhantes.

As exportações norte-americanas para o Canadá cresceram significativamente entre 2017 e 2024, enquanto os embarques destinados ao Brasil apresentaram forte redução. O governo norte-americano também destaca uma assimetria comercial. Segundo os dados apresentados, o etanol brasileiro mantém acesso ao mercado dos Estados Unidos, enquanto os exportadores americanos enfrentariam restrições no Brasil. Em 2024, as exportações brasileiras de etanol para os EUA somaram US$ 203 milhões, enquanto as vendas americanas para o mercado brasileiro atingiram US$ 53 milhões.

A questão do etanol é considerada um dos temas mais sensíveis nas negociações comerciais entre os dois países e deve ocupar posição central nas tratativas que antecedem a possível entrada em vigor da nova tarifa em julho. Nos bastidores, autoridades brasileiras já admitem que o tema poderá integrar um eventual pacote de negociações para reduzir as tensões comerciais e ampliar a lista de produtos isentos das medidas propostas pelos Estados Unidos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.