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03/Jun/2026

Etanol pode entrar na negociação entre Brasil e EUA

O governo brasileiro admite nos bastidores que o etanol poderá integrar as negociações comerciais com os Estados Unidos diante da proposta de imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Autoridades envolvidas nas discussões avaliam que o tema é sensível para os norte-americanos e relevante para a indústria nacional, mas não deve ser considerado inegociável no processo de diálogo bilateral. O acesso ao mercado brasileiro de etanol aparece entre os principais pontos questionados pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na investigação aberta contra o Brasil.

O relatório divulgado pelo órgão aponta a tarifa de importação de 18% aplicada ao etanol norte-americano como uma barreira ao comércio, contrastando com a alíquota de 2,5% cobrada pelos Estados Unidos sobre o biocombustível brasileiro. Integrantes do governo discutem uma estratégia unificada para responder às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos e reconhecem que a questão do etanol poderá ser utilizada como instrumento de negociação antes da possível entrada em vigor das tarifas, prevista para 15 de julho. Entre as alternativas em avaliação estão a redução parcial da tarifa de importação, a adoção de uma alíquota intermediária entre 2,5% e 18%, a criação de cotas específicas de importação ou até mesmo a liberação do produto em determinados períodos do ano.

Também são estudados mecanismos que direcionem as importações para regiões onde o etanol de milho norte-americano apresenta menor competitividade frente ao etanol de cana-de-açúcar produzido no Brasil. O tema vem sendo analisado desde o final de 2025 por áreas do governo ligadas à política externa, comércio exterior e economia. Há entendimento de que eventuais concessões podem contribuir para reduzir tensões comerciais e demonstrar disposição para negociações mais amplas com o governo norte-americano. A resistência à ampliação do acesso do etanol norte-americano concentra-se principalmente nas usinas da Região Nordeste, região que tradicionalmente recebe grande parte das importações do produto. Por outro lado, a demanda por maior abertura do mercado brasileiro é antiga entre produtores de milho e fabricantes de etanol dos Estados Unidos, especialmente nos estados do Meio Oeste norte-americano. Além do etanol, o governo acompanha com atenção questões ambientais citadas pelos Estados Unidos no âmbito das discussões comerciais.

Há preocupação de que temas ligados ao desmatamento e à sustentabilidade possam ganhar relevância em futuras negociações envolvendo produtos agropecuários brasileiros, especialmente a carne bovina. O governo brasileiro também sustenta que o acesso do açúcar nacional ao mercado norte-americano permanece limitado por cotas tarifárias e que existem diferenças relevantes entre os modelos produtivos dos dois países, uma vez que o etanol brasileiro é produzido majoritariamente a partir da cana-de-açúcar, enquanto o produto norte-americano tem como principal matéria-prima o milho. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.