03/Jun/2026
A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros deve impactar diretamente o setor de etanol e pode gerar reflexos em diversas cadeias exportadoras do agronegócio. A medida reduz a competitividade do etanol brasileiro no mercado norte-americano ao elevar o custo do produto na entrada dos Estados Unidos, favorecendo a produção doméstica. O efeito tende a comprometer contratos, margens de comercialização e a previsibilidade dos negócios.
A sobretaxa atua como uma barreira comercial que altera a competitividade relativa entre os produtos, independentemente de critérios ligados à eficiência produtiva ou à sustentabilidade. O etanol ocupa posição central na justificativa apresentada pelas autoridades norte-americanas, que alegam tratamento desigual no acesso ao mercado brasileiro. Além dos efeitos diretos sobre o biocombustível, o uso de questões relacionadas ao desmatamento ilegal como argumento para a aplicação das tarifas amplia os riscos para outros segmentos ligados ao agronegócio.
O entendimento é de que a medida pode extrapolar o campo estritamente comercial e incorporar componentes reputacionais, afetando cadeias que dependem de rastreabilidade e comprovação de conformidade socioambiental. Nesse contexto, setores como celulose, madeira e couro podem enfrentar exigências adicionais por parte de compradores internacionais, incluindo certificações, auditorias e documentação complementar, mesmo em operações que já atendam aos padrões ambientais vigentes. Destaque ainda para os possíveis impactos sobre os fluxos globais de comércio.
Com a perda de competitividade nos Estados Unidos, exportadores brasileiros podem direcionar parte da produção para outros mercados, ampliando a oferta e pressionando preços em determinados destinos. Ao mesmo tempo, compradores norte-americanos tendem a buscar fornecedores alternativos, promovendo mudanças nas correntes internacionais de comércio. Esse movimento pode gerar efeitos sobre cadeias integradas ligadas à energia, fibras, madeira, couro e insumos agroindustriais, aumentando a volatilidade dos mercados e reduzindo a previsibilidade para produtores, indústrias e exportadores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.