03/Jun/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta terça-feira (02/06) em baixa na Bolsa de Nova York, refletindo um movimento de acomodação técnica após os ganhos registrados no pregão anterior. O contrato com vencimento em julho, referência atual do mercado, recuou 0,48%, ou 7 pontos, e fechou a 14,38 centavos de dólar por libra-peso. A perspectiva de ampla disponibilidade de açúcar no curto prazo continua influenciando negativamente o mercado. Os investidores seguem avaliando os dados da safra brasileira divulgados pela Unica, que apontaram moagem acumulada de 60 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul até 1º de maio, volume duas vezes superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
Com o mix destinado ao açúcar em 40,3%, a produção acumulada do adoçante alcançou 2,475 milhões de toneladas, avanço de 55,3% na comparação anual. O cenário de oferta também é reforçado pelo desempenho das exportações da Tailândia. Entre janeiro e abril, os embarques do país cresceram 29%, totalizando 1,6 milhão de toneladas. Além disso, a Organização Internacional do Açúcar (OIA) projeta superávit global de 2,2 milhões de toneladas na temporada 2025/26, sustentado por uma produção mundial recorde estimada em 182 milhões de toneladas. Apesar da pressão baixista, fatores climáticos limitaram perdas mais expressivas. Na Índia, o departamento de meteorologia reduziu a previsão de chuvas das monções entre junho e setembro para 90% da média histórica, ante estimativa anterior de 92%, em razão da influência do fenômeno El Niño.
A revisão aumenta as preocupações com a produtividade da cana-de-açúcar no segundo maior produtor mundial. As preocupações climáticas também foram reforçadas pelas projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que indicam 82% de probabilidade de consolidação do El Niño no trimestre atual e 67% de chance de ocorrência de um evento de forte intensidade até o final do ano. O cenário pode afetar a produção de cana tanto na Ásia quanto no Brasil. As perspectivas para a próxima temporada seguem mais apertadas. A ISO projeta déficit global de 262 mil toneladas em 2026/27, enquanto a StoneX estima saldo negativo de 550 mil toneladas, indicando possível redução da oferta mundial após o atual ciclo de superávit.