05/Jun/2026
Segundo projeções da Hedgepoint Global Markets, a moagem de cana-de-açúcar na safra 2026/27 no Centro-Sul do Brasil deverá crescer 4%, alcançando 635 milhões de toneladas. Apesar da maior oferta de matéria-prima, a estimativa é de redução na produção de açúcar, para 40 milhões de toneladas, queda de 1% em relação ao ciclo anterior, devido a uma menor destinação para a fabricação do açúcar. O mix açucareiro deve recuar 3%, para 47,5%, refletindo a mudança na relação de preços entre açúcar e etanol. Com a perspectiva de excedente global do açúcar, as usinas tendem a direcionar uma parcela maior da matéria-prima para a produção de biocombustíveis.
A paridade futura entre açúcar e etanol indica uma vantagem crescente para o biocombustível ao longo da temporada, especialmente diante de fatores como a possível adoção do E32, que elevaria o porcentual de etanol anidro na gasolina para 32%, e eventuais ajustes nos preços dos combustíveis fósseis. Mesmo com a redução do mix, a oferta de açúcar continuará robusta, graças ao aumento da disponibilidade de cana-de-açúcar. A consultoria projeta ainda um leve avanço de 1% no ATR (Açúcar Total Recuperável), para 139,2 quilos por tonelada de cana-de-açúcar. No mercado de etanol, as perspectivas são mais favoráveis. A produção total do biocombustível deverá crescer 11%, alcançando 27,2 bilhões de litros. O etanol de milho, por sua vez, segue em trajetória de expansão acelerada e pode avançar 22%, chegando a 11,2 bilhões de litros na safra 2026/27.
O mercado deverá atravessar um período de elevada volatilidade ao longo do próximo ciclo. Entre os principais fatores de atenção estão a possível intensificação e antecipação do fenômeno El Niño, que pode afetar a produção agrícola no Hemisfério Norte, além das decisões regulatórias relacionadas aos combustíveis no Brasil. Do lado da oferta agrícola, os indicadores de saúde da vegetação nas áreas de cana-de-açúcar do Centro-Sul apontam para mais um ano de boa disponibilidade de matéria-prima, sustentando a expectativa de uma safra superior à registrada em 2025/26. O bom desenvolvimento vegetativo observado até o momento reforça o cenário de crescimento da moagem. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.