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08/Jun/2026

Raízen: plano de recuperação extrajudicial aprovado

A Raízen conseguiu maioria de apoio dos credores, na casa de 70%, para aprovar seu plano de Recuperação Extrajudicial e deve protocolar o documento na Justiça até esta segunda-feira (08/06). As negociações entre a empresa e seus credores se concentraram, em grande parte do tempo, em governança. Os credores defenderam uma participação relevante no conselho, incluindo a cadeira principal, de "chairman" da empresa. A esperada venda dos ativos da Raízen na Argentina era o que faltava para acelerar a aprovação final do plano de recuperação. Havia grande ansiedade pela concretização do negócio, que já se arrastava havia meses. Essa etapa é relevante para o reequilíbrio financeiro da companhia, que passará a ser consolidada no balanço da Shell. Nas últimas duas semanas, as conversas avançaram, segundo interlocutores.

No dia 4 de junho, a subsidiária Raízen Energia anunciou que assinou um contrato vinculante com a Latam Downstream Holdings e a Silver Projects, que pertencem a Mercuria Energy Group, com sede na Suíça, para vender as operações de "downstream" (refino) na Argentina por US$ 1,420 bilhão. A Shell, sócia da Cosan na Raízen, se comprometeu com R$ 3,5 bilhões de aporte na investida, montante que a Cosan não vai acompanhar e, portanto, terá sua participação diluída. O plano prevê que o Conselho de Administração será composto por 7 membros, com 4 nomeados pelos credores apoiadores, incluindo o de presidente, e 3 pelo acionista contribuinte. A Shell sempre terá um membro no Conselho enquanto o Contrato de Licença de Marca permanecer em vigor.

A Raízen está reestruturando uma dívida de R$ 65 bilhões, sendo que cerca de 40% estão com um extenso grupo de bancos, outros cerca de 40% com detentores de títulos de dívida emitidos no exterior e aproximadamente 20% com investidores locais. A previsão é de conversão de 45% da dívida da empresa em ações e os 55% restantes serão trocados por novos títulos, que serão alocados na proporção de 17,6% na Raízen Energia e 37,4% na Raízen Combustíveis. A Shell diz que, como acionista, apoia a decisão da equipe de gestão da Raízen de entrar com um pedido de recuperação extrajudicial em comum acordo com os credores, visando uma solução negociada e que funcione para todas as partes. "A Shell continuará trabalhando em estreita colaboração com a equipe de liderança da Raízen e credores no intuito de assegurar o futuro de longo prazo do negócio", afirma. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.