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08/Jun/2026

Açúcar: petróleo e dólar pressionam preços futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram o pregão de sexta-feira (05/06) na Bolsa de Nova York em queda, prolongando o movimento baixista observado nas últimas sessões. O contrato com vencimento em julho, referência atual do mercado, recuou 13 pontos, ou 0,91%, e fechou a 14,14 centavos de dólar por libra-peso. A desvalorização foi influenciada principalmente pelo enfraquecimento do mercado de energia e pelo comportamento do câmbio no Brasil. O petróleo WTI registrou queda de 2,30%, para US$ 95,03 por barril, refletindo expectativas relacionadas a avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã envolvendo a livre circulação no Estreito de Ormuz.

A redução dos preços do petróleo diminui a competitividade do etanol hidratado frente à gasolina no mercado brasileiro, fator que tende a estimular o direcionamento de maior volume de cana-de-açúcar para a produção de açúcar, ampliando a oferta global da commodity. No mercado cambial, o Real apresentou desvalorização de 1,43% frente ao dólar, com a moeda norte-americana cotada a R$ 5,06. O movimento aumenta a competitividade das exportações brasileiras e incentiva a comercialização externa por parte dos produtores, contribuindo para a pressão sobre as cotações internacionais. Os fundamentos de curto prazo também seguem reforçando o viés baixista do mercado. Os agentes continuam incorporando os dados operacionais da safra do Centro-Sul divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que apontaram moagem acumulada de 60 milhões de toneladas de cana até 1º de maio, volume equivalente ao dobro do registrado no mesmo período do ciclo anterior.

A produção de açúcar avançou 55,3%, alcançando 2,475 milhões de toneladas, fortalecendo a percepção de abastecimento confortável no mercado global. Por outro lado, os preços encontraram suporte nos riscos climáticos para a próxima temporada. As preocupações com o abastecimento asiático aumentaram após o departamento de meteorologia da Índia reduzir a projeção de chuvas das monções entre junho e setembro de 92% para 90% da média histórica, em função do avanço do fenômeno El Niño. A perspectiva de menor volume de precipitações mantém a atenção do mercado voltada para o potencial impacto sobre a produção futura de açúcar no país asiático.