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09/Jun/2026

Petróleo: crise em Ormuz reduz a demanda global

O Goldman Sachs avalia que as tensões no Estreito de Ormuz provocaram uma destruição de demanda global por petróleo entre 4 milhões e 5 milhões de barris por dia em abril, o equivalente a uma retração de aproximadamente 4% a 5% do consumo mundial em relação a um cenário sem o conflito. Apesar da redução expressiva da demanda, a instituição manteve suas projeções para os preços do petróleo Brent em US$ 90,00 por barril e do WTI em US$ 83,00 por barril no quarto trimestre de 2026. A estimativa foi construída a partir de três metodologias independentes que apontaram resultados semelhantes. A primeira considera a demanda aparente por derivados, calculada com base no volume processado pelas refinarias globais descontado o comportamento dos estoques de combustíveis.

Por esse critério, a perda de demanda foi estimada em cerca de 4 milhões de barris por dia, incluindo uma redução adicional próxima de 2 milhões de barris diários em segmentos não diretamente vinculados ao refino, como matérias-primas petroquímicas. A segunda metodologia combinou indicadores de alta frequência de consumo de combustíveis com a evolução dos preços ao consumidor. Os dados apontaram forte enfraquecimento das vendas de combustíveis na China, desaceleração na Europa Ocidental e sinais de demanda mais moderada nos Estados Unidos. Com base nesse modelo, a destruição de demanda superou 5 milhões de barris por dia. A terceira abordagem reuniu projeções recentes de consultorias e empresas de trading de commodities, que convergiram para uma perda próxima de 4 milhões de barris diários. Antes da intensificação do conflito no Oriente Médio, a expectativa do mercado era de crescimento anualizado de aproximadamente 1 milhão de barris por dia na demanda global de petróleo.

O choque nos preços decorrente das interrupções nas rotas marítimas e dos riscos à oferta reverteu essa trajetória no curto prazo. O mercado segue influenciado por forças opostas. De um lado, os preços mais elevados da energia reduzem o consumo global. De outro, os riscos de interrupções prolongadas na produção e no transporte de petróleo na região do Golfo sustentam a possibilidade de manutenção das cotações em níveis elevados por um período mais prolongado. A queda da demanda global foi superior ao inicialmente esperado, mas os riscos para os preços permanecem equilibrados entre uma demanda mais fraca e eventuais perdas persistentes de oferta no Oriente Médio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.