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09/Jun/2026

Açúcar: futuros em baixa com ampla oferta global

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram o pregão desta segunda-feira (08/06) em leve baixa na Bolsa de Nova York, ampliando o movimento de desvalorização observado nas últimas sessões. O contrato julho, referência do mercado, recuou 2 pontos, ou 0,14%, e fechou a 14,12 centavos de dólar por libra-peso. A pressão sobre os preços foi sustentada principalmente pela percepção de ampla disponibilidade de açúcar no mercado internacional e pelo comportamento do câmbio brasileiro. A desvalorização de 0,33% do Real frente ao dólar, com a moeda norte-americana encerrando a R$ 5,15, aumenta a competitividade das exportações brasileiras e incentiva a comercialização externa por parte das usinas.

Os fundamentos de curto prazo continuam apontando para um cenário de abastecimento confortável. O mercado segue incorporando os dados da safra do Centro-Sul divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que mostram moagem acumulada de 60 milhões de toneladas de cana-de-açúcar até 1º de maio, volume equivalente ao dobro do registrado no mesmo período do ciclo anterior. A produção de açúcar na região alcançou 2,475 milhões de toneladas, crescimento de 55,3% em relação à safra passada. O aumento da oferta brasileira reforça a percepção de disponibilidade elevada no mercado internacional. O cenário global também permanece favorável ao abastecimento. As exportações de açúcar da Tailândia cresceram 29% no primeiro quadrimestre do ano, totalizando 1,60 milhão de toneladas.

Além disso, a Organização Internacional do Açúcar (OIA) projeta superávit global de 2,20 milhões de toneladas na safra 2025/26, sustentado por uma produção mundial recorde estimada em 182 milhões de toneladas. Apesar da pressão baixista, fatores ligados ao setor energético e às condições climáticas continuam oferecendo sustentação ao mercado. O petróleo WTI registrou valorização de 1,34%, negociado a US$ 93,09 por barril, refletindo as incertezas geopolíticas relacionadas às negociações entre Estados Unidos e Irã. A valorização do petróleo favorece a competitividade do etanol frente à gasolina no mercado brasileiro, reduzindo os incentivos para uma migração mais intensa do mix industrial em direção à produção de açúcar. Esse fator contribui para limitar movimentos mais acentuados de queda nas cotações.

No campo climático, persistem as preocupações com o desenvolvimento das lavouras asiáticas. O departamento meteorológico da Índia reduziu a previsão de chuvas das monções entre junho e setembro de 92% para 90% da média histórica, em função do avanço do fenômeno El Niño. As projeções climáticas também indicam riscos crescentes para a safra futura. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima 82% de probabilidade de formação do El Niño e 67% de chance de ocorrência de um Super El Niño até o final do ano. O fenômeno pode afetar a produtividade agrícola em importantes regiões produtoras da Ásia e do Brasil. Esse cenário sustenta projeções de déficit para a safra global 2026/27. A OIA estima déficit de 262 mil toneladas, enquanto a StoneX projeta saldo negativo de 550 mil toneladas, indicando que os riscos climáticos poderão ganhar relevância crescente na formação dos preços nos próximos ciclos.