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10/Jun/2026

Etanol: governo federal quer acelerar adoção do E32

O Ministério de Minas e Energia (MME) deverá encaminhar ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), nos próximos 15 dias, a proposta de elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A medida está sendo discutida como instrumento para reduzir os impactos da volatilidade do mercado internacional de petróleo sobre o abastecimento e os preços dos combustíveis no Brasil. A proposta possui caráter excepcional e temporário, com vigência inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada por igual período mediante deliberação do CNPE. Até o momento, a reunião para análise e eventual aprovação da medida ainda não possui data definida. A justificativa apresentada pelo governo está relacionada ao cenário de instabilidade geopolítica envolvendo o Irã, que tem provocado oscilações nos preços internacionais do petróleo e ampliado as preocupações com a segurança global do abastecimento energético.

Segundo análise técnica do governo, o atual diferencial de custos entre etanol e gasolina favorece a ampliação da participação do biocombustível na composição da gasolina C. Nesse contexto, a medida tem potencial para reduzir o custo médio do combustível ao consumidor final e contribuir para efeitos desinflacionários sobre os preços domésticos. O avanço da proposta ocorre após a realização de estudos técnicos conduzidos pelo Ministério de Minas e Energia em parceria com o Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). Os testes foram realizados em veículos leves e motocicletas representativos da frota nacional e avaliaram os efeitos da utilização de misturas com teor de etanol de até 32%. Os resultados indicaram ausência de impactos relevantes sobre desempenho, dirigibilidade, emissões e consumo de combustível, demonstrando capacidade de adaptação dos sistemas veiculares ao aumento da participação do biocombustível na gasolina.

Em relação ao biodiesel, o governo informou que eventuais alterações nos percentuais de mistura ao diesel permanecem condicionadas à conclusão de estudos técnicos adicionais, sem previsão de encaminhamento imediato ao CNPE. A proposta reforça a estratégia de ampliação do uso de biocombustíveis na matriz energética nacional, em um momento de elevada volatilidade no mercado internacional de energia e de busca por mecanismos que contribuam para a segurança do abastecimento e a moderação dos custos dos combustíveis no mercado interno. O encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com representantes do setor produtivo, ocorrido nesta terça-feira (09/06), foi o estopim para destravar a deliberação sobre a mistura do etanol na gasolina, de 30% para 32. O tema ainda precisava do sinal verde do presidente, apesar de a proposta ter sido anunciada no fim de abril e prevista para discussão em duas datas no mês de maio.

Além de ministros do governo, o encontro com Lula contou com representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Cosan, Copersucar, FS (Fueling Sustainability), Delta Sucroenergia, CMAA, Grupo EQM, Jalles, Usina Serra Grande, Grupo Japungu, Inpasa, SIAMIG Bioenergia, Bioenergia Brasil e do Sindaçúcar-PE. Após a reunião, o ministro Alexandre Silveira declarou que a reunião do CNPE, que decide sobre o tema, será marcada dentro de 15 dias. O Ministério de Minas e Energia (MME) já conduziu um programa de testes e os ensaios em veículos demonstraram que não há impactos relevantes no desempenho, na dirigibilidade, nas emissões ou no consumo de combustível, com "plena capacidade" de adaptação dos sistemas veiculares ao teor de etanol em até 32%. Ou seja, do ponto de vista técnico, a decisão já poderia ter sido adotada desde o ano passado.

Porém, o que impediu a elevação para 32% na mistura foi a preocupação com eventual impacto na inflação. O jogo virou com a crise no Oriente Médio. A guerra no Irã tem provocado elevada volatilidade nos preços do petróleo e riscos à segurança do abastecimento global de combustíveis. Foi considerando o diferencial de custos entre etanol e gasolina. Ou seja, o biocombustível ficou com preço mais competitivo e, nesse caso, a medida tende a reduzir o custo médio da gasolina ao consumidor, com potencial efeito desinflacionário. A proposta de elevação da mistura do etanol terá caráter excepcional e temporário, com vigência inicial de 180 dias, prorrogáveis por igual período, conforme deliberação do CNPE. Será prorrogada se for o esperado alívio para a inflação continuar sendo verificado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.