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10/Jun/2026

Açúcar: futuros em baixa acompanhando petróleo

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram o pregão desta terça-feira (09/06) em queda na Bolsa de Nova York, ampliando o movimento de desvalorização observado nas últimas sessões. O contrato com vencimento em julho, referência atual do mercado, recuou 4 pontos, ou 0,28%, e fechou a 14,08 centavos de dólar por libra-peso. A pressão sobre as cotações foi influenciada principalmente pelo desempenho do mercado de energia e pelas condições cambiais. O petróleo WTI registrou queda de 2,81%, para US$ 94,25 por barril, reduzindo a competitividade do etanol hidratado em relação à gasolina no mercado brasileiro. Esse cenário tende a estimular as usinas do Centro-Sul a destinarem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de açúcar, ampliando a oferta disponível ao mercado internacional. Os fundamentos de curto prazo também permanecem favoráveis ao viés baixista, sustentados pela percepção de ampla disponibilidade física para os próximos meses.

O mercado continuou repercutindo os dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que apontaram moagem acumulada de 60 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul até 1º de maio, volume equivalente ao dobro do registrado no mesmo período do ciclo anterior. A produção de açúcar alcançou 2,475 milhões de toneladas, avanço de 55,3% em relação ao ano anterior, apoiada por ganhos de produtividade agrícola e pela elevação do Açúcar Total Recuperável (ATR) para 112,58 quilos por tonelada de cana processada. Os números reforçaram a percepção de abastecimento confortável e contribuíram para a pressão sobre os preços. No cenário internacional, a oferta também segue fortalecida. As exportações de açúcar da Tailândia avançaram 29% no primeiro quadrimestre do ano, alcançando 1,6 milhão de toneladas, segundo levantamento da Barchart. Paralelamente, a Organização Internacional do Açúcar (OIA) projeta superávit global de 2,2 milhões de toneladas na safra 2025/26, sustentado por uma produção mundial recorde estimada em 182 milhões de toneladas.

Outro fator baixista veio do mercado exportador brasileiro. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicaram que o preço médio das exportações de açúcar do Brasil caiu 14,2% na primeira semana de junho, atingindo US$ 378,25 por tonelada. Apesar do cenário predominantemente negativo, as cotações encontraram suporte nos custos de produção e nos riscos climáticos associados às próximas safras. Relatório da Czarnikow apontou que os preços atuais operam abaixo dos custos de produção das principais origens exportadoras. A estimativa é de custo próximo de 15,70 centavos de dólar por libra-peso no Brasil, acima de 16,00 centavos por libra-peso na Tailândia e perto de 19,00 centavos por libra-peso na Índia para volumes destinados à exportação, refletindo a elevação dos custos de diesel e fertilizantes após os conflitos no Oriente Médio.

A avaliação do mercado é de que uma recuperação mais consistente das cotações dependerá de uma retomada dos preços da energia, fator que poderia estimular recomposição de posições por parte dos fundos de investimento. No campo climático, permanecem as preocupações com a produção asiática. O departamento de meteorologia da Índia reduziu a previsão de chuvas das monções entre junho e setembro de 92% para 90% da média histórica, em razão do avanço do fenômeno El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) projeta 82% de probabilidade de consolidação do fenômeno no trimestre atual e 67% de chance de ocorrência de um Super El Niño até o final do ano. As preocupações climáticas mantêm suporte para projeções mais apertadas na safra 2026/27. A OIA estima déficit global de 262 mil toneladas no próximo ciclo, enquanto a StoneX projeta déficit de 550 mil toneladas, cenário que poderá limitar a expansão da oferta e oferecer sustentação às cotações no horizonte de médio e longo prazo.