11/Jun/2026
A proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros pode comprometer o acesso do etanol nacional ao mercado norte-americano e reduzir uma importante alternativa de sustentação para os preços domésticos do biocombustível. A avaliação é da StoneX, que aponta aumento das incertezas comerciais em um momento de ampla oferta e pressão sobre as cotações no mercado interno. Caso a medida seja aprovada rapidamente, a tarifa adicional poderá se somar à alíquota atualmente vigente de 10%, elevando temporariamente a taxação total para 35% até o final de julho. Segundo a consultoria, a proposta tem potencial para afetar exportações brasileiras equivalentes a US$ 8,90 bilhões, valor correspondente a 22,1% do total exportado pelo Brasil aos Estados Unidos em 2024.
A iniciativa decorre de investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que classificou como desfavorável aos interesses norte-americanos a decisão do Brasil de encerrar, em 2017, a política de reciprocidade tarifária aplicada ao etanol. Na avaliação norte-americana, o etanol de milho produzido nos Estados Unidos passou a enfrentar condições menos competitivas no mercado brasileiro, enquanto o etanol de cana-de-açúcar do Brasil manteve vantagens de acesso ao mercado externo. O Brasil retomou em 2023 a cobrança da tarifa padrão de importação de 18% para o etanol proveniente de países fora do Mercosul, encerrando a isenção temporária adotada em 2022 para conter pressões inflacionárias. Esse movimento é interpretado pelos Estados Unidos como uma prática tarifária discriminatória.
O cronograma da investigação prevê conclusão da consulta pública até 1º de julho, audiência em Washington em 6 de julho e definição final sobre a medida até 15 de julho de 2026. Nesse contexto, eventuais negociações envolvendo a alíquota de importação do etanol de milho norte-americano poderão ser utilizadas como instrumento para reduzir o risco de aplicação da sobretaxa. Paralelamente, o mercado acompanha a aprovação, pela Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, do projeto que autoriza a comercialização de gasolina com 15% de etanol (E15) durante todo o ano. A medida ampliará o consumo interno de etanol no País e reduzirá o potencial exportador norte-americano em 76,7% até 2027. A menor disponibilidade de etanol dos Estados Unidos no mercado internacional pode abrir oportunidades para os produtores brasileiros ampliarem participação em destinos importadores relevantes, especialmente na União Europeia e na Índia.
Entretanto, a combinação entre a expansão do E15 e a revisão das tarifas reforça a estratégia de proteção ao mercado norte-americano em favor da indústria doméstica de etanol de milho. No mercado brasileiro, as perspectivas continuam indicando crescimento da oferta. A StoneX projeta produção de 26,9 milhões de metros cúbicos de etanol de cana-de-açúcar na safra 2026/27, aumento de 9,6% em relação ao ciclo anterior. Para o etanol de milho, a estimativa é de 11,1 milhões de metros cúbicos, avanço de 12,6%. O cenário reforça a importância do mercado externo para o equilíbrio entre oferta e demanda do setor sucroenergético. Eventuais restrições comerciais nos Estados Unidos poderão reduzir uma importante alternativa de escoamento da produção brasileira e ampliar a dependência do consumo doméstico e de outros mercados internacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.