ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

11/Jun/2026

Açúcar: oferta e câmbio pressionam preços futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em queda na Bolsa de Nova York, ampliando o movimento baixista observado na sessão anterior e igualando os menores níveis em aproximadamente seis semanas. O contrato com vencimento em outubro, atualmente o mais líquido do mercado, recuou 0,90%, e fechou a 14,39 centavos de dólar por libra-peso. A desvalorização foi impulsionada principalmente pelo enfraquecimento do Real frente ao dólar e pela percepção de ampla disponibilidade de açúcar no mercado global. A moeda brasileira atingiu o menor nível em mais de dois meses, com o dólar próximo de R$ 5,18, favorecendo a competitividade das exportações brasileiras e estimulando a fixação de vendas pelas usinas. Os fundamentos de mercado continuam apontando para um cenário de oferta confortável.

Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que a moagem acumulada de cana-de-açúcar no Centro-Sul alcançou 60 milhões de toneladas no início de maio, volume equivalente ao dobro do registrado no mesmo período do ciclo anterior. A produção acumulada de açúcar avançou 55,3%, totalizando 2,475 milhões de toneladas, sustentada pelo maior rendimento agrícola e pela evolução do ATR. No mercado internacional, a oferta também permanece robusta. As exportações de açúcar da Tailândia cresceram 29% no primeiro quadrimestre, alcançando 1,6 milhão de toneladas. Além disso, a Organização Internacional do Açúcar (OIA) projeta superávit global de 2,2 milhões de toneladas na safra 2025/26.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) reforçam esse cenário, ao indicar recuo de 14,2% no preço médio das exportações brasileiras de açúcar na primeira semana de junho, para US$ 378,25 por tonelada. Apesar da pressão baixista, fatores relacionados ao mercado de energia e ao clima limitaram perdas mais expressivas. A valorização do petróleo WTI, que avançou 2,99%, elevando-se para US$ 91,45 por barril, tende a favorecer a competitividade do etanol frente à gasolina no mercado brasileiro. Esse movimento pode estimular uma maior destinação da cana-de-açúcar para a produção de biocombustíveis, reduzindo a oferta potencial de açúcar.

As preocupações climáticas também seguem no radar dos investidores. A confirmação do estabelecimento do fenômeno El Niño no Pacífico Equatorial e a projeção de 67% de probabilidade de evolução para um evento de forte intensidade elevam os riscos para a produção agrícola em importantes regiões produtoras de cana-de-açúcar da Ásia e do Brasil. Na Índia, a previsão oficial para as chuvas de monção foi reduzida para 90% da média histórica, aumentando as preocupações com a produtividade futura. Nesse contexto, a OIA projeta déficit global de 262 mil toneladas na safra 2026/27, enquanto a StoneX estima déficit de 550 mil toneladas no mesmo período.

Outro fator de sustentação de longo prazo é a relação entre os preços atuais e os custos de produção. Segundo a consultoria Czarnikow, as cotações negociadas na ICE estão abaixo dos custos de exportação das principais origens globais. Os custos FOB são estimados em aproximadamente 15,70 centavos de dólar por libra-peso no Brasil, acima de 16 centavos na Tailândia e próximos de 19,00 centavos na Índia, refletindo principalmente o aumento dos preços de diesel e fertilizantes. Dessa forma, embora a oferta abundante e o câmbio continuem pressionando o mercado no curto prazo, os riscos climáticos, o fortalecimento do setor energético e os elevados custos de produção podem oferecer suporte às cotações nos próximos ciclos.