12/Jun/2026
A Czarnikow revisou para cima sua estimativa de superávit global de açúcar na safra 2025/26, mas passou a projetar um mercado significativamente mais ajustado em 2026/27, refletindo principalmente a redução da expectativa de produção no Centro-Sul do Brasil e uma maior destinação de cana-de-açúcar para a fabricação de etanol. A consultoria elevou a projeção de excedente mundial em 2025/26 de 6,8 milhões para 7,2 milhões de toneladas. Para a temporada 2026/27, porém, a estimativa foi alterada de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, sinalizando uma mudança relevante na perspectiva de oferta global. Embora o déficit projetado seja relativamente pequeno e não represente um cenário de escassez severa, o novo balanço torna o mercado mundial mais sensível ao desempenho produtivo de importantes exportadores, especialmente Brasil, Índia, Tailândia e México. O principal ajuste ocorreu nas projeções para o Centro-Sul do Brasil.
A estimativa de produção de açúcar da região em 2026/27 foi reduzida de 40 milhões para 39,5 milhões de toneladas. A revisão está associada à expectativa de menor participação do açúcar no mix industrial das usinas. A consultoria reduziu sua projeção de mix açucareiro de 48% para 47%, retirando aproximadamente 500 mil toneladas da estimativa anterior de produção. O movimento reflete a maior flexibilidade das usinas para direcionar a matéria-prima entre açúcar e etanol, diante de um ambiente de preços menos atrativos para o adoçante e de condições favoráveis para a produção de biocombustíveis. A análise destaca que o nível de proteção por operações de hedge das usinas está abaixo dos padrões observados nos últimos anos, ampliando a capacidade de ajuste do mix produtivo em resposta às condições de mercado. Além disso, a combinação entre preços mais baixos do açúcar e um câmbio favorável aumenta a competitividade do etanol em diversas regiões produtoras.
No cenário global, a produção de açúcar em 2025/26 foi estimada em 185,1 milhões de toneladas, volume que representaria a segunda maior safra da história. Para 2026/27, a projeção foi reduzida de 180,7 milhões para 178,9 milhões de toneladas. Pelo lado da demanda, o consumo mundial é estimado em 177,9 milhões de toneladas em 2025/26. Para 2026/27, a projeção foi ajustada de 179,3 milhões para 179 milhões de toneladas. O crescimento do consumo global permanece moderado, influenciado por mudanças nos hábitos alimentares, maior conscientização sobre a ingestão de açúcar, impactos da inflação dos alimentos observada nos últimos anos e pela expansão do uso de medicamentos da classe GLP-1, associados ao controle de peso e ao tratamento de doenças metabólicas. O novo cenário reforça a expectativa de um mercado global amplamente abastecido em 2025/26, mas aponta para uma possível redução da folga entre oferta e demanda na temporada seguinte, aumentando a importância do desempenho produtivo dos principais países exportadores e das decisões de mix das usinas brasileiras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.