12/Jun/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em leve baixa na Bolsa de Nova York nesta quinta-feira (11/06), mantendo o movimento de desvalorização observado na sessão anterior e igualando os menores níveis registrados nas últimas seis semanas. O contrato com vencimento em outubro, que passou a concentrar a maior liquidez do mercado após o processo de rolagem de posições, recuou 5 pontos, ou 0,35%, e fechou a 14,34 centavos de dólar por libra-peso. O desempenho do mercado foi influenciado principalmente pelo fortalecimento do dólar frente às principais moedas internacionais e pela percepção de abastecimento confortável no mercado físico de curto prazo. A valorização da moeda norte-americana elevou o custo da commodity para compradores internacionais e favoreceu a liquidação de posições por fundos de investimento.
Nos fundamentos, as cotações continuaram pressionadas pelos dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que evidenciam forte expansão da produção no Centro-Sul do Brasil. A moagem acumulada alcançou 60,46 milhões de toneladas de cana desde o início da safra até 1º de maio, avanço de 74,58% em relação ao mesmo período do ano anterior. A produção acumulada de açúcar atingiu 2,475 milhões de toneladas, crescimento de 55,24%, favorecida pelo aumento da produtividade agrícola e pelo avanço do ATR para 112,58 quilos por tonelada de cana-de-açúcar. O cenário de ampla disponibilidade global também foi reforçado pelo desempenho das exportações da Tailândia, que cresceram 29% no primeiro quadrimestre e somaram 1,6 milhão de toneladas. Além disso, a Organização Internacional do Açúcar (OIA) projeta superávit global de 2,2 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, sustentado por uma produção mundial recorde estimada em 182 milhões de toneladas.
O ambiente de oferta elevada também se refletiu nos embarques brasileiros. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que o preço médio das exportações nacionais de açúcar recuou 14,2% no início de junho, para US$ 378,25 por tonelada, sinalizando menor pressão compradora no mercado internacional. Apesar do viés baixista predominante, fatores de sustentação impediram quedas mais acentuadas. Entre eles estão os riscos climáticos para os próximos ciclos produtivos, a valorização do petróleo e a revisão das perspectivas globais de oferta realizada pela consultoria Czarnikow. A empresa reduziu sua estimativa para o balanço mundial de açúcar em 2026/27, passando de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 10 mil toneladas. A revisão reflete a expectativa de maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol no Brasil, em resposta aos preços mais elevados da energia.
Em linha com esse movimento, o petróleo WTI encerrou com alta de 0,67%, cotado a US$ 93,10 por barril. O avanço do combustível mantém o potencial de melhorar a competitividade do etanol e reduzir a disponibilidade de açúcar para exportação. No curto prazo, as previsões de chuvas para o Centro-Sul do Brasil também contribuíram para limitar as perdas ao sinalizar possível desaceleração da moagem. Estimativas preliminares apontam redução no volume processado na segunda quinzena de maio, resultado de paralisações estratégicas realizadas por usinas em regiões onde a cana ainda não havia atingido o estágio ideal de maturação, com o objetivo de preservar o rendimento industrial da matéria-prima. O mercado segue acompanhando a evolução da safra brasileira, o comportamento do petróleo e as perspectivas para o balanço global de oferta e demanda, fatores que deverão determinar a direção das cotações ao longo dos próximos meses.