12/Jun/2026
O governo de São Paulo anunciou a implantação do primeiro projeto-piloto de captura e armazenamento de carbono biogênico (BECCS) voltado ao setor sucroenergético, com foco na cadeia produtiva da cana-de-açúcar. A iniciativa foi formalizada por meio de parceria entre a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Epusp). O projeto prevê a criação do Centro de Tecnologias para Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico, que terá como objetivo desenvolver pesquisas, tecnologias e soluções voltadas à captura do dióxido de carbono (CO₂) gerado durante a produção de bioenergia a partir da cana-de-açúcar e ao armazenamento permanente desse carbono.
A proposta integra as estratégias estaduais de mitigação das emissões de gases de efeito estufa e busca ampliar a contribuição do setor sucroenergético para a transição rumo a uma economia de baixo carbono. Além da redução das emissões líquidas, a tecnologia poderá viabilizar a geração de créditos de carbono e criar novas oportunidades econômicas associadas aos mercados de descarbonização. O modelo BECCS é considerado uma das principais tecnologias de emissões negativas em desenvolvimento no mundo, pois combina a produção de energia renovável oriunda da biomassa com a captura e o armazenamento permanente do carbono liberado durante o processo industrial. Como resultado, o sistema pode remover dióxido de carbono da atmosfera, contribuindo para metas climáticas de longo prazo.
O setor sucroenergético reúne condições favoráveis para a aplicação dessa tecnologia devido à elevada disponibilidade de biomassa, à estrutura industrial já instalada e ao potencial de produção de bioenergia. A combinação desses fatores posiciona a cadeia da cana-de-açúcar entre os segmentos com maior capacidade de gerar remoções líquidas de carbono em escala comercial. A iniciativa também busca fortalecer a inovação tecnológica no agronegócio paulista e ampliar a competitividade do setor sucroenergético em um cenário global de crescente exigência por produtos com menor pegada de carbono. O desenvolvimento das pesquisas deverá contribuir para a consolidação de novas soluções voltadas à sustentabilidade, à geração de energia renovável e à valorização ambiental da produção de cana-de-açúcar. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.