15/Jun/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram o pregão de sexta-feira (12/06) em queda na Bolsa de Nova York, ampliando o movimento de desvalorização observado na sessão anterior e atingindo os menores níveis das últimas sete semanas. O contrato outubro, referência do mercado, recuou 11 pontos, ou 0,77%, e fechou a 14,23 centavos de dólar por libra-peso. A pressão sobre as cotações foi impulsionada principalmente pela forte queda do petróleo e pela redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O mercado reagiu ao anúncio de um entendimento diplomático preliminar entre Estados Unidos e Irã, movimento que reduz os riscos associados ao abastecimento energético global e reforça as perspectivas de normalização da circulação de mercadorias pelo Estreito de Ormuz.
A desvalorização do petróleo reduz a competitividade do etanol hidratado em relação à gasolina no mercado brasileiro. Esse cenário tende a estimular as usinas do Centro-Sul a ampliar a destinação de cana-de-açúcar para a produção de açúcar, elevando as expectativas de oferta da commodity no mercado internacional. Os fundamentos de curto prazo também seguem reforçando o viés baixista. O mercado continua assimilando os dados da safra brasileira divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que apontam moagem acumulada de 60,46 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul até o início de maio, volume equivalente ao dobro do registrado no mesmo período do ciclo anterior. A produção de açúcar alcançou 2,475 milhões de toneladas, avanço de 55,3% na comparação anual.
O teor de Açúcar Total Recuperável (ATR) também apresentou melhora, atingindo 112,58 quilos por tonelada de cana processada, reforçando o potencial produtivo da safra. No mercado internacional, a percepção de ampla oferta é fortalecida pelo desempenho das exportações da Tailândia, que cresceram 29% no primeiro quadrimestre do ano, totalizando 1,6 milhão de toneladas. Além disso, a Organização Internacional do Açúcar (OIA) projeta superávit global de 2,2 milhões de toneladas na temporada 2025/26. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) também contribuíram para o sentimento de maior disponibilidade da commodity ao apontarem queda de 14,2% no preço médio das exportações brasileiras de açúcar na primeira semana de junho, para US$ 378,25 por tonelada.
Apesar do cenário predominantemente baixista, fatores estruturais seguem limitando movimentos mais acentuados de queda. A consultoria Czarnikow revisou significativamente suas projeções para o balanço global de açúcar em 2026/27, passando de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de aproximadamente 100 mil toneladas. A mudança decorre principalmente da revisão para baixo da produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil, estimada agora em 39,5 milhões de toneladas, ante previsão anterior de 40 milhões de toneladas. A consultoria também reduziu sua expectativa para o mix açucareiro da região, de 48% para 47%, refletindo maior atratividade econômica do etanol.
Segundo as novas estimativas, a produção global de açúcar em 2026/27 deverá alcançar 178,9 milhões de toneladas, enquanto o consumo foi projetado em 179 milhões de toneladas. A consultoria também destaca que o avanço dos medicamentos da classe GLP-1 pode influenciar o crescimento da demanda mundial por açúcar nos próximos anos. No campo climático, o mercado monitora a confirmação das condições associadas ao fenômeno El Niño no Oceano Pacífico Equatorial. Projeções indicam 63% de probabilidade de ocorrência de um evento de forte intensidade entre novembro e janeiro. O fenômeno pode afetar o potencial produtivo de importantes regiões produtoras de açúcar no Brasil, na Tailândia e na Índia, adicionando um componente de risco para a oferta global nas próximas temporadas.