16/Jun/2026
Segundo a Petrobras, a disponibilidade limitada de matérias-primas certificadas é apontada como um dos principais obstáculos para a expansão da produção de combustível sustentável de aviação (SAF) no Brasil. A certificação e a rastreabilidade da cadeia de suprimentos são fatores essenciais para atender às exigências internacionais de descarbonização do setor aéreo. Embora o País disponha de diversas alternativas com potencial para abastecer a indústria de SAF, como macaúba, carinata e resíduos agrícolas, a ausência de certificações reconhecidas internacionalmente restringe a ampliação da oferta. O principal desafio está relacionado ao atendimento dos requisitos do Corsia, programa da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) voltado à redução das emissões de carbono da aviação.
A Petrobras vem atuando em conjunto com produtores rurais, entidades setoriais e organismos internacionais para ampliar o reconhecimento das práticas agrícolas brasileiras e acelerar os processos de certificação das matérias-primas. O objetivo é criar condições para que novas fontes renováveis possam ser incorporadas à produção do combustível sustentável em escala comercial. A estratégia da companhia para o desenvolvimento do SAF contempla múltiplas rotas tecnológicas e diferentes fontes de matérias-primas. A avaliação da empresa é de que a descarbonização da aviação exigirá o aproveitamento simultâneo de diversas soluções produtivas, sem dependência de uma única tecnologia. Atualmente, a Petrobras utiliza o modelo de coprocessamento de matérias-primas renováveis em refinarias já existentes. Essa alternativa permite investimentos iniciais menores, reduz o prazo de implementação e possibilita a oferta mais rápida do produto ao mercado.
Em 2025, a estatal realizou a primeira produção de SAF certificada pelo Corsia na América Latina, utilizando a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro. A iniciativa teve como objetivo antecipar a adaptação operacional da companhia às futuras exigências regulatórias relacionadas ao combustível sustentável de aviação. Responsável por aproximadamente 92% do querosene de aviação consumido no Brasil, a Petrobras iniciou em 2026 a produção de SAF com 1% de conteúdo renovável na Reduc e pretende ampliar gradualmente o coprocessamento para outras unidades do sistema de refino. Além dessa estratégia, a companhia planeja investir em unidades dedicadas exclusivamente à produção de SAF. Entre os projetos em desenvolvimento estão plantas localizadas em Cubatão (SP) e no Rio de Janeiro utilizando a rota Hefa (hidroprocessamento de ésteres e ácidos graxos), além de uma unidade em Paulínia baseada na tecnologia Alcohol-to-Jet (ATJ), que utiliza etanol como matéria-prima.
As perspectivas para o setor estão diretamente associadas à implementação dos mandatos de mistura de SAF e às metas globais de redução de emissões da aviação. Nesse contexto, a expansão da oferta dependerá da combinação entre aumento da capacidade produtiva, certificação de matérias-primas, fortalecimento da rastreabilidade e desenvolvimento da infraestrutura logística necessária para atender ao crescimento da demanda. O combustível sustentável de aviação já integra a realidade do mercado brasileiro, mas a ampliação da escala de produção continuará condicionada à evolução das certificações e ao avanço da cadeia de suprimentos de matérias-primas renováveis.
Para a Argus, o avanço do mercado de SAF dependerá menos de questões regulatórias e mais da capacidade de garantir matéria-prima suficiente para sustentar o crescimento da demanda nos próximos anos. O setor já vislumbra um cenário de expansão acelerada do consumo, impulsionado pelos mandatos de descarbonização adotados em diferentes regiões do mundo. Nesse contexto, a principal dúvida passou a ser a disponibilidade de insumos para abastecer as futuras plantas de produção. A pergunta principal é se vai haver matéria-prima. A percepção é de que existe matéria-prima disponível, mas não necessariamente significa que há tecnologia preparada para essa matéria-prima.
A evolução tecnológica tende a ampliar as possibilidades de aproveitamento dos insumos ao longo dos próximos anos. A tecnologia de um ou dois anos à frente já será muito melhor do que a de hoje. O mercado deverá apresentar mudanças significativas entre 2027 e 2028. Há discussões em andamento em grupos de trabalho ligados ao setor para avaliar mecanismos de incentivo e o direcionamento da produção para diferentes mercados. A crescente demanda internacional deve ampliar a competição pelos insumos utilizados na fabricação do SAF. A existência de demanda já não é uma incerteza para o segmento. Existe demanda. O problema vai ser a oferta. Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.