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16/Jun/2026

Açúcar: preços recuam acompanhando o petróleo

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em queda na Bolsa de Nova York nesta segunda-feira (15/06), ampliando o movimento de baixa observado nas últimas sessões e renovando os menores níveis em sete semanas. O contrato com vencimento em outubro, de maior liquidez, recuou 4 pontos, ou 0,28%, e fechou a 14,19 centavos de dólar por libra-peso. A pressão sobre as cotações foi liderada pelo forte recuo do mercado de energia. O petróleo WTI caiu 4,67%, para US$ 87,33 por barril, após a consolidação de um acordo preliminar de paz entre Estados Unidos e Irã. A redução das tensões geopolíticas diminuiu o prêmio de risco sobre o petróleo e reforçou as expectativas de normalização dos fluxos comerciais no Estreito de Ormuz. A desvalorização do petróleo reduz a competitividade do etanol hidratado frente à gasolina no mercado brasileiro, fator que tende a estimular as usinas do Centro-Sul a direcionarem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de açúcar.

Esse movimento amplia a percepção de oferta global e contribui para a pressão baixista sobre as cotações internacionais. Os fundamentos de curto prazo também seguem influenciados pelo avanço da safra brasileira. Dados operacionais da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) indicam que a moagem acumulada no Centro-Sul alcançou 60,46 milhões de toneladas de cana-de-açúcar até o início de maio, volume equivalente ao dobro do registrado no mesmo período do ciclo anterior. A produção de açúcar na região somou 2,475 milhões de toneladas, crescimento de 55,3% em relação ao ano anterior, sustentada pelo avanço do Açúcar Total Recuperável (ATR) para 112,58 quilos por tonelada de cana-de-açúcar. O desempenho reforça a percepção de maior disponibilidade do produto no mercado internacional.

O cenário de oferta também é favorecido pelo desempenho das exportações da Tailândia, que avançaram 29% no primeiro quadrimestre do ano, totalizando 1,6 milhão de toneladas. Paralelamente, a Organização Internacional do Açúcar (OIA) projeta superávit global de 2,2 milhões de toneladas na temporada 2025/26, apoiado por uma produção mundial recorde estimada em 182 milhões de toneladas. Apesar da pressão negativa, fatores estruturais limitaram perdas mais intensas. A consultoria Czarnikow revisou significativamente suas projeções para o balanço global da próxima temporada, reduzindo a expectativa de superávit de 1,4 milhão de toneladas para déficit de 100 mil toneladas. A revisão foi motivada principalmente pela redução da estimativa para a produção do Centro-Sul do Brasil, que passou de 40 milhões para 39,5 milhões de toneladas. A consultoria projeta produção global de 178,9 milhões de toneladas, enquanto o consumo mundial é estimado em 179 milhões de toneladas.

Entre os fatores considerados está o avanço dos medicamentos da classe GLP-1, que pode influenciar o crescimento do consumo global de açúcar. No cenário climático, permanecem preocupações relacionadas aos principais países produtores. Na Índia, as chuvas das monções acumulavam volume 26% abaixo da média até 12 de junho, segundo dados meteorológicos oficiais. O comportamento das precipitações é acompanhado de perto devido à sua importância para o desenvolvimento das lavouras do segundo maior produtor mundial. Além disso, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e a Agência Meteorológica do Japão confirmaram a instalação das condições associadas ao fenômeno El Niño no Pacífico Equatorial. As projeções indicam 63% de probabilidade de ocorrência de um evento de forte intensidade entre novembro e janeiro, cenário que pode afetar a produtividade agrícola em importantes produtores de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia.