29/Jun/2026
O mercado internacional de açúcar permanece sob forte pressão baixista, refletindo a combinação entre ampla oferta no curto prazo, aumento das posições vendidas por fundos especulativos, acomodação das cotações do petróleo e perspectiva de produção consistente no Brasil. Apesar de recuperações pontuais nas bolsas, os fundamentos continuam indicando um ambiente desfavorável para os preços no curto prazo, enquanto fatores climáticos podem alterar esse cenário apenas ao longo dos próximos ciclos de produção. Um dos principais fatores de pressão continua sendo o comportamento dos investidores financeiros. Os fundos especulativos ampliaram novamente suas posições vendidas, que já superam 100 mil contratos, intensificando o movimento de queda das cotações internacionais. O mercado também acompanha a evolução dos preços do petróleo, cuja recente desaceleração reduz a competitividade do etanol em relação aos combustíveis fósseis.
Essa mudança afeta a paridade entre açúcar e etanol na destinação da matéria-prima pelas usinas, contribuindo para manter o viés negativo sobre os preços do adoçante. Do lado da oferta, o mercado continua avaliando que o abastecimento global permanece confortável no curto prazo, principalmente em função da continuidade da safra brasileira. A produção de cana-de-açúcar, os níveis de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) e o ritmo operacional das usinas ainda sustentam a percepção de disponibilidade suficiente para atender à demanda mundial, mesmo diante de oscilações climáticas localizadas. Essa combinação de fatores mantém as cotações em patamares pressionados, em alguns momentos próximos ou inferiores aos custos de produção de determinados produtores internacionais. No entanto, o cenário para médio e longo prazo permanece condicionado ao comportamento do clima e ao desempenho das principais regiões produtoras.
As condições climáticas voltam a ganhar relevância nas projeções para o mercado mundial. A expectativa de fortalecimento do fenômeno El Niño entre agosto e setembro poderá alterar o potencial produtivo de importantes exportadores, especialmente Índia e Tailândia, influenciando o equilíbrio global entre oferta e demanda. No Brasil, os impactos climáticos já são percebidos durante a atual safra. As chuvas acima da média no período de colheita provocam interrupções na moagem, reduzem a eficiência operacional das usinas e elevam os custos logísticos. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que a moagem de cana no Centro-Sul totalizou 41,55 milhões de toneladas na segunda quinzena de maio, volume 13,08% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. A produção de açúcar apresentou retração ainda mais intensa, com queda de 25,62%. Além do Brasil, Índia e Tailândia continuam sendo acompanhadas de perto pelo mercado internacional devido ao peso que exercem sobre a oferta global.
Ambos os países enfrentam desafios relacionados aos custos de produção, superiores aos observados no Brasil. Enquanto os custos de produção nesses mercados superam R$ 1.700,00 por tonelada, no Brasil variam entre R$ 1.400,00 e R$ 1.500,00 por tonelada, preservando a competitividade da produção brasileira nas exportações. Entretanto, essa diferença de custos também amplia a possibilidade de adoção de políticas governamentais voltadas ao controle das exportações ou ao estímulo do consumo doméstico, fatores capazes de modificar a disponibilidade de açúcar no mercado internacional. No mercado futuro, a atenção dos participantes concentra-se nos contratos com vencimento no fim de 2026 e início de 2027, considerados mais sensíveis às alterações dos fundamentos globais. Entre eles, o contrato com vencimento em março permanece como uma das principais referências para avaliação do equilíbrio entre a oferta da safra brasileira e o início da produção asiática, podendo refletir com maior intensidade eventuais mudanças nas perspectivas de oferta mundial. Fonte: Notícias Agrícolas. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.