29/Jul/2026
A StoneX ampliou sua estimativa para o déficit global de açúcar na safra 2026/27 (outubro-setembro), projetando saldo negativo de 1,7 milhão de toneladas. A revisão aprofunda a previsão anterior em razão da deterioração das condições climáticas nos principais países produtores do Hemisfério Norte. Em contrapartida, elevou a estimativa de superávit para a safra 2025/26, de 2,3 milhões para 2,94 milhões de toneladas, refletindo revisões positivas para a produção da China e da União Europeia. A produção mundial de açúcar deverá alcançar 192,6 milhões de toneladas em 2026/27, retração de 1,9% em relação ao ciclo anterior. O consumo global, por sua vez, deverá continuar em expansão, embora em ritmo moderado, atingindo 194,3 milhões de toneladas, crescimento anual de 0,5%, mantendo o mercado em situação de déficit.
A revisão do balanço mundial decorre principalmente da piora das condições climáticas em importantes regiões produtoras. Na União Europeia, a combinação de seca e ondas de calor deverá reduzir a produção em 15,3%, para 15 milhões de toneladas. Na Tailândia, as precipitações acumuladas permanecem aproximadamente 19% abaixo da média histórica, levando a StoneX a reduzir a estimativa de produção para 10,2 milhões de toneladas, queda de 15,1%. Na Índia, as monções seguem abaixo da normalidade, mantendo a projeção de produção em 27,9 milhões de toneladas. É considerada a possibilidade de o governo indiano restringir o direcionamento de cana-de-açúcar para a produção de etanol como forma de preservar a oferta doméstica de açúcar.
O Brasil deverá compensar parte das perdas observadas em outros grandes produtores, embora o aumento da oferta brasileira não seja suficiente para neutralizar integralmente a redução da produção global. O Centro-Sul brasileiro tende a ampliar gradualmente o mix destinado à produção de açúcar ao longo de 2027, contribuindo para reforçar a oferta internacional. Mesmo com a maior participação do Brasil no mercado, a expectativa é de manutenção de um cenário de oferta global apertada, diante das perdas previstas na Ásia e na Europa. A evolução do fenômeno El Niño continuará sendo um dos principais fatores de risco para a produção do Hemisfério Norte nos próximos meses, mantendo elevada a atenção do mercado em relação ao equilíbrio entre oferta e demanda mundial de açúcar. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.