29/Jul/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta terça-feira (28/07) na Bolsa de Nova York com leve baixa, mantendo a pressão vendedora observada anteriormente e permanecendo abaixo da referência de 15,00 centavos de dólar por libra-peso. O vencimento outubro, atualmente o mais líquido e referência do mercado, recuou 3 pontos, equivalente a 0,21%, e fechou a 14,55 centavos de dólar por libra-peso. A queda foi influenciada principalmente pelo recuo do setor energético global, pela melhora das condições climáticas no Hemisfério Norte e pelo clima mais seco no Brasil, que favorece o avanço da moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul. O petróleo WTI aprofundou o movimento negativo recente e caiu 6,51%, com baixa de US$ 5,75, para US$ 88,36 por barril. A desvalorização do petróleo reduz a competitividade relativa do etanol em relação à gasolina no mercado brasileiro, pressionando a rentabilidade do biocombustível e favorecendo a destinação de maior parcela da cana-de-açúcar para a produção de açúcar pelas usinas do Centro-Sul.
No cenário agrícola, a recuperação das chuvas na Ásia e o avanço das condições favoráveis de colheita no Brasil também contribuíram para limitar os preços. Na Índia, o déficit acumulado das chuvas de monções recuou para 16% abaixo da média histórica até 27 de julho, ante déficit de 42% no fim de junho, reduzindo as preocupações com perdas mais severas na produção do segundo maior produtor mundial de açúcar. No Brasil, o clima mais seco ao longo de julho favorece a aceleração da moagem no Centro-Sul e tende a elevar o mix de açúcar das usinas nos próximos levantamentos da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), após o percentual ter alcançado 42% anteriormente. Pelo lado da demanda, o mercado acompanha a desaceleração das compras chinesas após antecipação de importações, além do ritmo mais moderado de aquisição da Indonésia e da redução de 20,3% no volume médio diário exportado pelo Brasil nas três primeiras semanas de julho, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Apesar da pressão baixista no curto prazo, as cotações seguem sustentadas por revisões que apontam maior aperto no balanço global de oferta para a safra 2026/27. A StoneX elevou sua projeção de déficit mundial de açúcar para 1,7 milhão de toneladas, ante estimativa anterior de 550 mil toneladas divulgada em maio. Outras projeções também indicam um cenário global mais ajustado. O Itaú BBA estima déficit de 700 mil toneladas, enquanto a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit de 262 mil toneladas e a Czarnikow aponta saldo negativo de 100 mil toneladas. A Hedgepoint Global Markets reduziu sua estimativa de superávit global para 1,8 milhão de toneladas diante dos impactos climáticos sobre a produção da Tailândia, União Europeia, México e América Central. Na Tailândia, a Hedgepoint projeta produção de 9 milhões de toneladas, enquanto o relatório FAS do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima 9,50 milhões de toneladas, queda anual de 15,6%.