29/Jul/2026
A Datagro estima que entre 7 milhões e 12 milhões de toneladas de cana-de-açúcar poderão permanecer no campo ao término da safra 2026/27 no Centro-Sul, fenômeno conhecido como cana bisada, quando a matéria-prima deixa de ser colhida dentro do ciclo previsto e é transferida para a safra seguinte. Caso as chuvas continuem dificultando o avanço das operações, esse volume poderá atingir entre 20 milhões e 25 milhões de toneladas. O elevado volume de cana-de-açúcar remanescente explica a manutenção da estimativa de moagem em 648,31 milhões de toneladas, apesar de o potencial produtivo da safra estar estimado entre 655 milhões e 660 milhões de toneladas.
A limitação decorre da redução da janela operacional para colheita e processamento, provocada pelas condições climáticas. A maior disponibilidade de matéria-prima não deverá resultar em aumento proporcional da produção de açúcar. A consultoria destaca que o consumo mundial do adoçante permanece praticamente estável, limitando a capacidade do mercado internacional de absorver uma oferta adicional. Para o mercado global de açúcar, a consultoria projeta superávit de 1,58 milhão de toneladas na temporada 2025/26, seguido por déficit de 1,85 milhão de toneladas em 2026/27. A expectativa é de que os preços internacionais encontrem suporte à medida que grandes importadores, como China e Indonésia, reduzam seus estoques.
Nesse cenário, a Datagro trabalha com preços do açúcar entre 15,00 e 16,00 centavos de dólar por libra-peso nos próximos 12 meses. Apesar do ambiente mais desafiador no curto prazo para os mercados de açúcar e etanol, a visão é positiva para o horizonte de longo prazo. A expectativa é de crescimento da demanda por biocombustíveis em função da transição energética, especialmente nos segmentos de transporte marítimo, aviação e motores a diesel adaptados para utilização de etanol, ampliando as perspectivas estruturais para a cadeia sucroenergética. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.