29/Jul/2026
O Instituto de Pesquisas e Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) projeta que a remuneração do Açúcar Total Recuperável (ATR) no Centro-Sul encerre a safra 2026/27 em torno de R$ 0,95 por quilo. A estimativa representa recuperação em relação ao patamar atual, próximo de R$ 0,90 por quilo, mas permanece entre 15% e 20% inferior aos valores registrados nas últimas safras, quando os mercados de açúcar e etanol proporcionaram remunerações superiores aos fornecedores de cana-de-açúcar. A expectativa é de melhora gradual ao longo da segunda metade da temporada, sustentada principalmente pela recuperação do mercado internacional de açúcar. A redução da remuneração da matéria-prima está diretamente relacionada ao comportamento dos mercados de açúcar e etanol e não às alterações implementadas no sistema Consecana.
Como o preço do ATR reflete a receita obtida pelas usinas na comercialização desses produtos, a remuneração dos fornecedores acompanha a evolução das cotações das commodities e dos combustíveis. Mesmo com a recuperação prevista para o encerramento da safra, é pouco provável, no curto prazo, o retorno aos níveis superiores a R$ 1,10 por quilo observados nos últimos quatro a cinco anos. O cenário reflete a acomodação dos preços internacionais do açúcar, a maior disponibilidade de cana-de-açúcar no Centro-Sul e um mercado de etanol ainda pressionado pela competitividade da gasolina. Outro fator apontado como limitador da remuneração é a defasagem dos preços da gasolina em relação à paridade internacional.
Esse represamento reduz entre R$ 0,05 e R$ 0,10 por quilo de ATR o valor recebido pelos fornecedores, o que representa perda de até R$ 14,00 por tonelada de cana-de-açúcar considerando uma matéria-prima com 140 quilos de ATR por tonelada. Esse efeito reduz a competitividade do etanol e limita o potencial de valorização do sistema Consecana. Diante desse ambiente de margens mais estreitas, o Pecege recomenda que os produtores concentrem esforços na melhoria da eficiência operacional e na gestão dos custos. A orientação é priorizar eventuais adiamentos apenas de despesas que não comprometam o potencial produtivo, como parte dos investimentos em corretivos e fertilizantes, preservando aplicações em defensivos, renovação dos canaviais e tecnologias de proteção, consideradas fundamentais para manter a produtividade e a sustentabilidade econômica das próximas safras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.