30/Jul/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram o pregão em queda na Bolsa de Nova York nesta quarta-feira (29/07), dando continuidade ao movimento de desvalorização observado nas sessões anteriores e permanecendo abaixo do patamar de 15,00 centavos de dólar por libra-peso. O contrato com vencimento em outubro, referência e de maior liquidez, recuou 5 pontos, ou 0,34%, e fechou a 14,50 centavos de dólar por libra-peso. A melhora das chuvas de monções na Ásia, o avanço da moagem de cana no Centro-Sul do Brasil favorecido pelo clima seco e os sinais de demanda internacional mais moderada mantiveram pressão sobre as cotações. O Departamento Meteorológico da Índia informou que o déficit acumulado de precipitações caiu para 15% abaixo da média histórica até 29 de julho, ante 16% registrados em 27 de julho e 42% observados no fim de junho, reduzindo as preocupações com perdas significativas na produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.
No Brasil, as condições mais secas registradas ao longo de julho favorecem o avanço da colheita e da moagem no Centro-Sul. A expectativa é de aumento do mix açucareiro nas próximas divulgações da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), superando os 42% registrados no levantamento anterior. Pelo lado da demanda, análises da StoneX e do Bradesco indicam menor urgência de compras por parte da China, após antecipação das importações, além de aquisições mais contidas pela Indonésia. Soma-se a esse cenário a redução de 20,3% no volume médio diário das exportações brasileiras de açúcar nas três primeiras semanas de julho, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). As perdas, entretanto, foram limitadas pela forte valorização do petróleo e pela revisão das estimativas de déficit global de açúcar para a safra 2026/27. O petróleo WTI subiu 7,44%, equivalente a US$ 6,26 por barril, encerrando a US$ 84,09 por barril, impulsionado pelo aumento das tensões geopolíticas.
O avanço do petróleo amplia a competitividade do etanol frente à gasolina no mercado brasileiro, incentivando maior direcionamento da cana para a produção de biocombustível. Esse movimento tende a ser reforçado pela entrada em vigor da mistura E32, com 32% de etanol anidro na gasolina, prevista para 1º de agosto. Segundo estimativa do Bradesco, a medida deverá acrescentar 633 milhões de litros à demanda de etanol na safra 2026/27. Nos fundamentos globais, a Green Pool Commodity Specialists elevou sua projeção de déficit mundial de açúcar para 3,3 milhões de toneladas na safra 2026/27, acima da estimativa de 1,76 milhão de toneladas divulgada em junho. A StoneX também revisou sua projeção, ampliando o déficit global de 550 mil para 1,7 milhão de toneladas, em função da deterioração das condições climáticas na União Europeia, Índia e Tailândia, além de reduzir a estimativa de produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil para 38,7 milhões de toneladas, refletindo menor ATR e mix açucareiro de 46,1%.
A Datagro passou a projetar déficit mundial de 1,85 milhão de toneladas na safra 2026/27 e alertou que entre 7 milhões e 25 milhões de toneladas de cana poderão permanecer no campo sem colheita caso as chuvas retornem no encerramento da safra. O cenário de oferta mais restrita também é sustentado pelas projeções do Itaú BBA, que estima déficit de 700 mil toneladas, da Organização Internacional do Açúcar (ISO), com déficit de 262 mil toneladas, e da Czarnikow, que projeta déficit de 100 mil toneladas. A Hedgepoint Global Markets também reduziu sua estimativa de superávit global para 1,8 milhão de toneladas. No cenário climático, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e o Centro de Previsão Climática (CPC) mantêm probabilidade de 81% de ocorrência de um episódio de El Niño classificado como muito forte até setembro, fator que continua sendo monitorado pelo mercado em razão dos possíveis impactos sobre a produção global de açúcar.