31/Jul/2026
Os contratos futuros do açúcar demerara encerraram em baixa na Bolsa de Nova York nesta quinta-feira (30/07), ampliando o movimento de desvalorização das últimas sessões e permanecendo abaixo do patamar de 15,00 centavos de dólar por libra-peso. O contrato com vencimento em outubro, de maior liquidez, recuou 0,48% (7 pontos), e fechou a 14,43 centavos de dólar por libra-peso, atingindo o menor nível em cerca de um mês. O mercado foi pressionado pela melhora das condições climáticas na Ásia, pela queda das cotações do petróleo, pelo avanço da moagem de cana no Centro-Sul do Brasil e por dados mais fracos das exportações brasileiras de açúcar.
Na Índia, a evolução das chuvas de monções reduziu as preocupações com perdas expressivas na produção. O déficit acumulado de precipitações atingiu 15% abaixo da média histórica até 29 de julho, frente a 16% no início da semana e 42% no fim de junho, indicando melhora nas perspectivas para a safra do segundo maior produtor mundial. No mercado de energia, a queda de 1,42% do petróleo WTI, para US$ 90,74 por barril, reduziu a competitividade relativa do etanol frente à gasolina. Esse movimento tende a estimular maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de açúcar pelas usinas do Centro-Sul, ampliando a expectativa de oferta da commodity, mesmo com a entrada em vigor da mistura obrigatória E32 a partir de 1º de agosto, que deverá elevar o consumo doméstico de etanol.
As perspectivas para a produção brasileira também contribuíram para o viés baixista. O clima seco observado durante julho favorece o avanço da colheita e da moagem no Centro-Sul, além de elevar a expectativa de aumento do mix açucareiro nos próximos levantamentos do setor. No lado da demanda, consultorias apontam menor ritmo de compras por parte de importantes importadores, como China e Indonésia. Além disso, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam queda de 6,4% no volume médio diário exportado pelo Brasil nas quatro primeiras semanas de julho, acompanhada de recuo de 14,4% no preço médio das exportações.
Apesar da pressão negativa, as perdas seguem limitadas pelas perspectivas de déficit na oferta global de açúcar em 2026/27. Diversas consultorias revisaram para cima suas estimativas de déficit mundial, enquanto projeções para o Centro-Sul brasileiro indicam redução da produção em função de menor ATR e de ajustes no mix industrial. Também permanecem no radar os riscos climáticos associados à possibilidade de retorno das chuvas no fim da safra brasileira e à elevada probabilidade de ocorrência de um evento de El Niño de forte intensidade, fatores que podem restringir a oferta global no próximo ciclo.