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09/Sep/2026

Biometano: Brasil tem potencial para exportação

De acordo com estudo ‘Biomethane for Transport Decarbonization’, encomendado pelo Instituto MBCBrasil e elaborado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Itajubá (Unifei), Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e Instituto Mauá de Tecnologia, o avanço do mercado global de biometano pode ampliar as oportunidades para o Brasil para além da produção do combustível, com potencial para o País se tornar fornecedor internacional de tecnologia, equipamentos, engenharia e soluções integradas voltadas à descarbonização do transporte. A oportunidade está relacionada à disponibilidade de matéria-prima e ao conhecimento acumulado pela indústria brasileira. Somente no setor sucroenergético, o potencial de produção de biometano é estimado em 41,4 bilhões de metros cúbicos por ano, equivalente a mais de 41 bilhões de litros de diesel. Atualmente, menos de 2% desse potencial é aproveitado.

O Brasil também acumulou experiência em tecnologias como biodigestores verticais de alta eficiência, sistemas de purificação de gás, logística para transporte de biometano líquido e integração da produção de biometano com fertilizantes de baixo carbono. Conforme o estudo, esse conhecimento pode ser exportado para países da América Latina, Ásia e África com elevada disponibilidade de resíduos agrícolas, mas que ainda apresentam carência de infraestrutura de biodigestão. A avaliação da pesquisa é de que a principal oportunidade para o Brasil está na liderança do fornecimento internacional de tecnologia, equipamentos, engenharia e soluções integradas desenvolvidas no País para mercados que buscam avançar na descarbonização. A experiência do setor sucroenergético contribui para sustentar essa perspectiva. O estudo cita projetos de produção de biometano a partir de vinhaça e resíduos de cana-de-açúcar em empresas como Cocal, Raízen, São Martinho e Adecoagro.

Na safra 2024/25, o Brasil processou cerca de 680 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, gerando um volume estimado de 380 bilhões de litros de vinhaça. O mercado internacional já apresenta escala para sustentar a expansão. O biometano é produzido em cerca de 40 países e utilizado no transporte em quase 30 mercados. O potencial sustentável mundial de produção de biogás e biometano é estimado em aproximadamente 1 trilhão de metros cúbicos por ano, equivalente a cerca de 25% da demanda mundial de gás natural. A União Europeia estabeleceu a meta de alcançar 35 bilhões de metros cúbicos anuais de produção até 2030, com investimentos estimados em 37 bilhões de euros. Além de criar mercado para equipamentos e serviços brasileiros, a expansão do biometano pode elevar a competitividade do combustível no transporte pesado. Segundo o estudo, a substituição do diesel por biometano reduz as emissões de CO2 equivalente entre 45% e 75% no ciclo poço-à-roda.

Em determinados projetos baseados em resíduos e dejetos, considerando a eliminação de emissões fugitivas de metano, o balanço de emissões pode alcançar -246% em relação ao diesel. O combustível também apresenta potencial econômico para o transporte pesado. Simulações de custo total de propriedade para frotas indicam custo de US$ 1,73 por quilômetro para gás natural comprimido (GNC)/biometano, ante US$ 1,87 por quilômetro para o diesel. Em diferentes cenários, o estudo estima que o custo por quilômetro rodado com biometano no Brasil pode variar de 30% abaixo a 25% acima do custo do diesel. O modelo de negócios associado ao biometano pode ainda incorporar receitas adicionais à comercialização do combustível. Em mercados mais maduros, entre 20% e 60% da receita total de uma planta de biometano pode ser proveniente de atividades como tratamento de resíduos, comercialização do digestato como biofertilizante e geração de créditos de carbono. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.