11/Sep/2026
A redução dos preços dos medicamentos da classe GLP-1 pode provocar forte expansão do uso no Brasil e até triplicar a penetração entre adultos. Estimativa apresentada pela McKinsey indica que esses medicamentos já alcançavam cerca de 6% da população adulta no início de 2026, enquanto o preço permanecia entre as principais barreiras para a entrada de novos usuários. Pesquisa realizada pela consultoria com mais de 2 mil consumidores brasileiros, entre março e abril, avaliou a parcela da população que utilizava os medicamentos, os motivos para o tratamento e os efeitos sobre hábitos de compra e alimentação. A penetração de 6% identificada pela pesquisa ficou acima das indicações obtidas a partir de dados do mercado formal, levando a McKinsey a cruzar os resultados com outras fontes relacionadas ao acesso aos produtos para dimensionar o consumo. O estudo também avaliou a reação dos consumidores a uma eventual redução dos preços.
Quase metade dos não usuários entrevistados manifestou interesse em iniciar o tratamento caso houvesse redução entre 35% e 50%. A partir dessa resposta e de outros dados analisados, a McKinsey estimou que a entrada de alternativas mais baratas, incluindo medicamentos genéricos e análogos, poderia elevar em até três vezes a penetração dos GLP-1 no Brasil. Uma expansão dessa magnitude colocaria o Brasil entre os países com maior utilização desse tipo de medicamento no mundo. A redução de preços também tende a ampliar o consumo em outros mercados, mas características do comportamento do consumidor brasileiro, incluindo a preocupação com estética, podem favorecer uma taxa de adoção especialmente elevada no País. Os efeitos dos GLP-1 já se estendem além da perda de peso e começam a alterar decisões relacionadas à compra e ao consumo de alimentos. Entre os usuários entrevistados, 50% afirmaram consultar informações nutricionais dos produtos, ante 15% entre os não usuários.
O comportamento indica maior atenção a atributos como teor de proteína, calorias, açúcar e sódio. A mudança também ocorre nas ocasiões de consumo. Usuários dos medicamentos relatam redução principalmente de alimentos ingeridos por impulso ou fora das refeições principais. Esse comportamento pode afetar categorias cuja demanda depende desses momentos de consumo, como snacks, criando necessidade de adaptação em formulações, posicionamento e comunicação. O impacto não está necessariamente restrito à redução do consumo de açúcar ou calorias, mas também à menor disposição para comer fora das refeições principais. Para empresas de alimentos, essa mudança pode representar alteração estrutural na frequência e no contexto de consumo de determinadas categorias, especialmente aquelas associadas a compras por impulso. A influência dos medicamentos pode permanecer parcialmente mesmo após a interrupção do tratamento.
A maioria dos consumidores pesquisados não considera o uso permanente e, em geral, os tratamentos duram entre dois e cinco meses, normalmente até que seja atingida determinada meta de peso. Após a interrupção, parte dos impulsos alimentares pode retornar, mas alguns hábitos adquiridos durante o tratamento tendem a permanecer. Entre eles estão a maior atenção às informações nutricionais dos rótulos e a redução do consumo de açúcar. A mudança de comportamento pode, portanto, continuar influenciando as escolhas alimentares mesmo depois do fim do uso do medicamento. Para a indústria de alimentos, a combinação entre maior acesso aos GLP-1 e consumidores mais atentos à composição nutricional cria uma transformação relevante na demanda. Produtos associados a proteínas, funcionalidade e benefícios nutricionais mais claros podem ganhar espaço, enquanto categorias dependentes de consumo por impulso tendem a enfrentar maior necessidade de adaptação para preservar participação nas ocasiões de consumo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.