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11/Sep/2026

Açúcar: ações do governo indiano para conter preços

O governo da Índia solicitou às usinas de açúcar que assegurem oferta adequada da commodity durante a temporada de festividades e mantenham os preços em níveis razoáveis, diante da forte alta recente das cotações no mercado doméstico. O Ministério da Alimentação advertiu que poderá adotar medidas corretivas para conter a volatilidade e evitar novas altas durante o período de maior consumo. A cobrança ocorre após os preços do açúcar atingirem nível recorde no mês passado na Índia, maior consumidor mundial do produto. Segundo o Ministério da Alimentação, a disparada não foi provocada por um aumento repentino da demanda, mas principalmente pela formação preventiva de estoques e por movimentos especulativos de agentes de mercado em antecipação ao período de festividades, quando tradicionalmente cresce o consumo de doces e produtos de confeitaria.

A demanda por açúcar costuma aumentar entre agosto e novembro, período que concentra festividades como Ganesh Chaturthi, Dussehra e Diwali. Embora as cotações tenham recuado parcialmente após o pico registrado no mês passado, permanecem cerca de 20% acima dos níveis observados dois meses antes. O governo pretende acompanhar mensalmente a produção e as vendas das usinas para melhorar a tomada de decisões e reforçar o controle sobre a oferta doméstica. A Índia, tradicionalmente exportadora de açúcar, também autorizou a importação de 1 milhão de toneladas do produto sem tarifa para ampliar a disponibilidade interna. Até o momento, foram recebidos pedidos para a importação de 800 mil toneladas dentro da cota autorizada. O movimento inclui compras do Brasil pela primeira vez em quase uma década, reforçando a importância do mercado indiano para o comércio internacional de açúcar. A intervenção do governo ocorre em um cenário de oferta doméstica mais restrita.

A produção de açúcar da Índia caiu 27% na temporada 2025/26, para cerca de 28,1 milhões de toneladas, enquanto o consumo avançou marginalmente, para 28,7 milhões de toneladas. A projeção de estoque inicial para a temporada 2026/27 recuou para apenas 3,5 milhões de toneladas, o menor nível em uma década. A combinação entre estoques reduzidos, maior demanda sazonal, necessidade de importações e preocupação com práticas de estocagem mantém o mercado indiano como importante vetor de sustentação dos preços internacionais do açúcar. Para o Brasil, maior produtor e exportador mundial, a necessidade de recomposição dos estoques indianos amplia o potencial de demanda externa, especialmente em um momento de preços internacionais mais firmes e de expectativa de maior participação brasileira no abastecimento da Índia. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.