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11/Sep/2026

Açúcar: futuros sobem com cortes na oferta global

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta nesta quinta-feira (10/09) na Bolsa de Nova York, sustentados pela forte valorização do petróleo no exterior e por revisões baixistas nas estimativas de oferta global. O vencimento março/27, referência atual e contrato mais líquido, avançou 36 pontos, alta de 1,86%, e fechou a 19,75 centavos de dólar por libra-peso. Além do petróleo, as perspectivas de redução da produção na Europa e na Tailândia, a queda do dólar no Brasil e as paralisações temporárias da moagem provocadas pelas chuvas no Centro-Sul brasileiro contribuíram para a pressão compradora. O conjunto de fatores reforçou a percepção de aperto no balanço global de açúcar na safra 2026/27. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) confirmou, em relatório, a estimativa de déficit mundial de 200 mil toneladas para a safra 2026/27.

A CovrigAnalytics projetou redução de 3 milhões de toneladas na produção da União Europeia e do Reino Unido, com necessidade de importações de até 3,5 milhões de toneladas. Na Ásia, a Thai Sugar Millers Corp e o Commerzbank estimam queda de 17% na safra da Tailândia, para 10 milhões de toneladas, em razão da seca. No mercado de energia, o petróleo WTI avançava 5,63%, acima de US$ 101,00 por barril, no maior nível em três meses e meio. A valorização do petróleo melhora a paridade teórica do biocombustível no mercado interno e pode reduzir o incentivo econômico para que as usinas ampliem a parcela da cana destinada à produção de açúcar. No Brasil, o avanço das chuvas sobre Paraná, São Paulo e Minas Gerais interrompeu temporariamente atividades de campo e moagem em algumas regiões do Centro-Sul. A previsão é de expansão das precipitações sobre os principais Estados produtores.

No acumulado até julho, o Ministério da Agricultura (Mapa) registrou retração de 12,4% na fabricação de açúcar do Centro-Sul, para 16,92 milhões de toneladas. As perspectivas de déficit global também são reforçadas por estimativas de diferentes instituições. A Green Pool Commodity Specialists projeta déficit de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27, enquanto o Itaú BBA estima saldo negativo de 1,4 milhão de toneladas. O Goldman Sachs também trabalha com perspectiva de aperto no balanço global. A valorização, contudo, foi limitada por fatores de oferta e demanda que ainda oferecem suporte ao mercado. Entre eles estão a demanda firme da Índia por importações, o forte volume de açúcar exportado pelo Brasil em agosto e as projeções de produção elevada no Centro-Sul brasileiro. Na Índia, o governo informou ter recebido pedidos de compra para 800 mil toneladas dentro da cota de importação isenta de 1 milhão de toneladas autorizada.

A movimentação reduz as especulações sobre eventual bloqueio das compras externas e está em linha com avaliações da consultoria Greenleaf. No Brasil, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as exportações de açúcar bruto alcançaram 2,698 milhões de toneladas em agosto, alta de 44,6% ante igual mês de 2025. No Centro-Sul, estimativas da Hedgepoint Global Markets e da Czarnikow indicam que a fabricação de açúcar pode alcançar entre 39 milhões e 40 milhões de toneladas, com aumento do mix açucareiro para até 47,7%. Esse potencial de produção brasileira limita uma valorização mais acentuada dos contratos futuros, ao mesmo tempo em que mantém o mercado atento à evolução da moagem e das condições climáticas. No mercado financeiro, o relatório da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostrou que os fundos especulativos elevaram a posição líquida comprada em açúcar na ICE para 132.496 contratos. O aumento da exposição comprada reforça a sustentação dos preços, mas também mantém elevado o risco de movimentos de realização de lucros caso o mercado não confirme novas altas.