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14/Sep/2026

Cana: Plantae Agrocrédito amplia crédito ao setor

A Plantae Agrocrédito projeta alcançar cerca de R$ 500 milhões em empréstimos em 2026, acima da meta de R$ 450 milhões estabelecida no ano passado, após dois anos de ajustes na estratégia de crédito. A instituição reduziu a exposição ao segmento de grãos e ampliou a participação da cana-de-açúcar, cultura em que um mesmo plantio permite vários cortes e, portanto, reduz a dependência de uma única safra. O foco está principalmente em pequenos e médios produtores, com utilização de contratos de venda, fornecimento, arrendamento ou parceria mantidos com agroindústrias como garantia das operações. Mais de 95% das operações da Plantae são estruturadas nesse modelo, envolvendo mais de 50 parceiros. A instituição evita utilizar a terra como garantia e concentra a análise na capacidade de geração de recebíveis vinculados aos contratos dos produtores. A estratégia ganha relevância diante da maior seletividade dos bancos na concessão de crédito ao agronegócio, especialmente para produtores que trabalham em áreas arrendadas e dispõem de menor volume de garantias patrimoniais.

A cana-de-açúcar passou a representar entre 70% e 80% da carteira de crédito da Plantae, refletindo a mudança de composição após a redução da exposição a grãos. A estrutura busca combinar maior previsibilidade dos fluxos financeiros dos produtores com garantias associadas aos contratos firmados com agroindústrias, reduzindo a dependência da propriedade rural como ativo de suporte às operações. Para sustentar o crescimento da carteira, a Plantae estrutura uma operação de até R$ 100 milhões no mercado de capitais, provavelmente por meio de um Fiagro, fundo de investimento voltado ao agronegócio. A expectativa é concluir a operação ainda em 2026, condicionada à evolução de cinco ou seis parcerias atualmente em negociação. A principal fonte de recursos da instituição atualmente são captações por meio de LCA e CDB, títulos de renda fixa distribuídos por plataformas de investimento.

A Plantae não opera linhas do Plano Safra. A instituição também desenvolve um cartão de crédito associado ao Consignagro, produto destinado a antecipar de uma só vez recursos que o produtor receberia ao longo de contratos de arrendamento ou parceria rural. A linha apresentou crescimento de 175% de 2025 para 2026, e o limite do cartão será calculado com base nos pagamentos futuros previstos nos contratos. Em um exemplo utilizado pela empresa, um produtor que receba R$ 10 mil mensais de arrendamento poderá ter limite superior a R$ 100 mil. Os gastos realizados com o cartão poderão posteriormente ser convertidos em financiamento junto à própria Plantae. O movimento evidencia uma estratégia de expansão do crédito rural baseada em recebíveis contratuais e não na propriedade da terra, modelo que pode ampliar o acesso de produtores arrendatários ao financiamento em um ambiente de maior restrição na oferta de recursos pelos bancos tradicionais. A combinação entre diversificação da carteira, maior concentração na cana-de-açúcar, captação no mercado de capitais e novas modalidades de antecipação de recebíveis sustenta a projeção de crescimento da Plantae em 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.